Nova York (EUA) – Com boas expectativas de encerrar o jejum norte-americano de títulos no masculino, Ben Shelton chega ao US Open em grande fase, mas evita criar grandes expectativas. O canhoto destacou o bom tênis apresentado nas últimas semanas e garante estar focado apenas na estreia, sem tratar a ausência de Jannik Sinner como um ponto positivo para ir longe.

O tenista de 23 anos é o oitavo mais bem cotado ao título do último Grand Slam da temporada. Ele terá como primeiro compromisso em Flushing Meadows o perigoso holandês Tallon Griekspoor, número 56 do ranking, sendo que o confronto é inédito pelo circuito.

“Estou focado na primeira rodada, na primeira partida. Não penso muito além disso. Não olho a chave além disso. Acho que essa é a única maneira de conseguir me concentrar no presente quando estou jogando. Não sou alguém que gosta de me antecipar”, assegurou Shelton.

O norte-americano também rejeitou a ideia de que a ausência de Sinner possa facilitar o seu caminho. “Sei quanta qualidade existe na chave. Acho que seria desrespeitoso simplesmente pensar: ‘Sinner não está aqui, então é uma enorme oportunidade’. Temos caras que ganharam Grand Slam neste ano, como Zverev e Sinner, e obviamente Novak está na chave”, avaliou.

O atual número 9 do mundo ainda disse que o evento conta com tenistas muito talentosos. “Além disso, há jogadores que conquistaram grandes títulos e estão em ótima fase, como Rafa Jódar, Arthur Fils e todos os norte-americanos, que são muito perigosos neste piso”, ressaltou.

Shelton aposta em regularidade e apoio dos fãs

Shelton vem de uma grande campanha em Montréal e ficou especialmente satisfeito com a regularidade apresentada durante o torneio. Ele já havia conquistado o Masters 1000 canadense em 2025, na edição de Toronto, e desta vez sequer cedeu set na campanha.

“Fiquei muito feliz com o nível de tênis que estava jogando e por conseguir colocar em prática tantas coisas nas quais vinha trabalhando durante meu período de treinos. Conseguir executar em um nível tão alto durante dez dias seguidos foi uma sensação muito boa”, celebrou o norte-americano.

Shelton também explicou como tem conseguido manter a regularidade. “É saber o que você tem e o que não tem naquele dia, trabalhar com isso e não tentar forçar ou ser algo que você não é naquele momento. Se estou jogando bem, não tento buscar cada vez mais, mas permanecer naquele nível de 80%, para conseguir resolver os problemas durante a partida”, destacou o ex-top 5.

Semifinalista em 2023, o norte-americano sabe das dificuldades de consolidar o nível em um Slam. “Consegui manter minha cabeça no jogo durante dois sets em todas as partidas que disputei lá. Aqui é um desafio maior, fazer isso em três de cinco sets e durante mais partidas se quiser sair com o título. Mas é um desafio pelo qual sempre espero”, garantiu.

Shelton também não esconde o carinho pelo torneio de Nova York. “É um torneio em que tenho muitas emoções. Sou realmente apaixonado por jogar aqui, é meu torneio favorito do ano. Às vezes você precisa diminuir um pouco isso e, ao mesmo tempo, aproveitar o momento e desfrutar da dimensão do palco em que está jogando”, prosseguiu.

O anfitrião caiu logo na terceira rodada na temporada passada e espera retribuir o apoio dos fãs. “Há muita oportunidade depois de ter me machucado no ano passado, caído na terceira rodada aqui e não ter conseguido fazer muita coisa pelo restante do ano. Acho que neste último quarto da temporada de 2026 vou estar a todo vapor para ver o que conseguimos fazer”, concluiu Shelton.