Nova York (EUA) – Aryna Sabalenka garante não estar abalada com as cobranças e críticas recebidas pelo jejum de títulos que perdura desde março, quando faturou o WTA 1000 de Miami. A número 1 do mundo reconhece que atravessou meses difíceis, mas disse ter trabalhado o aspecto mental para buscar o tricampeonato consecutivo do US Open.

A bielorrussa reconheceu que não vive sua melhor fase, mas apontou que os momentos difíceis servem de motivação para trabalhar ainda mais. Ela estreia contra a colombiana Camila Osorio em Flushing Meadows, com dois triunfos no confronto direto.

Questionada nesta sexta-feira sobre a frustração demonstrada em sua última partida em Cincinnati e se havia algo errado com seu jogo, respondeu com bom humor: “Talvez tenha algo errado com as pessoas”, minimizou. Na ocasião, ela caiu para a jovem tcheca Sara Bejlek.

“Essa é a beleza do esporte. Ele coloca desafios difíceis diante de mim e isso me torna mais forte. Não é o meu melhor período. Não quero me justificar e também não quero falar muito sobre essa fase. Estava lidando com algumas coisas”, ponderou Sabalenka.

“Mas quem se importa, não é? Não joguei o meu melhor. Essas lições difíceis certamente vão me deixar muito, muito mais forte e fazer com que eu trabalhe ainda mais. Tenho trabalhado na parte mental do meu jogo. Tentei reorganizar minha cabeça. É apenas uma questão de tempo”, prosseguiu a tenista de 28 anos.

Feitos de Serena e Evert estimulam a número 1

Bicampeã consecutiva em Nova York, Sabalenka tenta alcançar uma marca que apenas Serena Williams e Chris Evert conseguiram na Era Aberta. Serena venceu três vezes seguidas entre 2012 e 2014, enquanto Evert conquistou quatro títulos consecutivos entre 1975 e 1978.

“Vou me concentrar em mim mesma, tentar fazer o meu melhor e veremos o que acontece até o fim do torneio”, disse a bielorrussa. Ela ainda falou sobre a possibilidade de colocar seu nome ao lado das duas norte-americanas. “Elas estão entre as maiores e são lendas. Cresci olhando para elas e adorava a maneira como dominavam o circuito. Então, se eu conseguir colocar meu nome, de alguma forma, um pouco ao lado delas, isso significaria muito para mim”, destacou.

Foi justamente no US Open que Sabalenka conquistou seu primeiro título de Grand Slam. Em 2019, ela levantou a taça de duplas ao lado da belga Elise Mertens e considera aquela campanha importante para começar a acreditar que também poderia vencer em simples.

“Foi uma sensação incrível, especialmente naquela época. Eu não conseguia passar da primeira semana em simples, então foi muito bom permanecer até o fim do torneio e sentir a atmosfera de estar em uma final. Conquistar o título foi muito especial e realmente me ajudou a continuar me esforçando e acreditando que também poderia conseguir isso em simples”, exaltou a cabeça de chave 1.

Djokovic, uniforme e premiação

Sabalenka também falou sobre a experiência de jogar ao lado de Novak Djokovic nas duplas mistas do US Open. A parceria terminou mais cedo do que os dois esperavam, mas a bielorrussa aproveitou a oportunidade para trocar experiências com o multicampeão sérvio.

“Foi muito divertido jogar com ele e também conversar bastante sobre tênis e aprender com ele durante aquela partida. Foi uma experiência incrível. Só gostaria que tivéssemos ido um pouco melhor”, brincou Sabalenka, que também disse considerar uma futura visita à Sérvia.

A número 1 ainda comentou as críticas ao uniforme preparado pela Nike para o torneio, inspirado no basquete. “Eu adoro. É diferente e ousado. Quando a Nike fazia coisas mais simples e tradicionais, as pessoas reclamavam. Agora que faz algo mais divertido, também reclamam. Então, quem se importa? O que importa para mim é que eu gosto. Além disso, fica muito legal nas fotos”, assegurou.

Sabalenka aproveitou o dia de coletivas para falar sobre o aumento da premiação do US Open e os avanços nas negociações por uma participação maior dos jogadores nas receitas dos Grand Slam.

“Estamos muito felizes em ver esse retorno positivo e que finalmente estamos chegando ao ponto em que queríamos estar desde o início. Espero que no futuro não seja necessário boicotar a imprensa ou torneios. Queremos que todos fiquem felizes, era isso que buscávamos desde o começo”, explicou.

A líder da WTA ainda destacou a torcida como principal diferencial do US Open. “A torcida, com certeza. Quando eles torcem por você, é a melhor sensação que já experimentei nos grandes estádios. Definitivamente, o público torna este lugar muito especial”, encerrou Sabalenka.