Nova York (EUA) – Alexander Zverev e Ben Shelton entram em quadra neste domingo, às 15h (de Brasília), para decidir o último Grand Slam da temporada. De um lado, o alemão de 29 anos disputa sua terceira final consecutiva de Major em um ano que já tem título de Roland Garros e vice em Wimbledon. Do outro, o norte-americano de 23 anos joga pela primeira vez uma decisão deste nível depois de ter parado duas vezes na semifinal.

A decisão coloca frente a frente jogadores em momentos diferentes de suas carreiras, mas que chegam com motivos de sobra para transformar o duelo em um dos principais jogos da temporada. Zverev busca o segundo título de Slam e a consagração de um ano em que se estabeleceu entre os protagonistas do circuito. Shelton tenta conquistar um troféu inédito diante da torcida de seu país e encerrar um jejum de 23 anos sem um campeão norte-americano na chave masculina do US Open.

O alemão, número 2 do mundo e principal cabeça de chave, chega à decisão com quatro vitórias consecutivas em sets diretos, depois de ser testado e precisado jogar cinco sets nas duas primeiras rodadas. Os únicos cabeças de chave em seu caminho foram Alejandro Tabilo (25), na terceira fase, e Luciano Darderi (21), nas oitavas de final.

Shelton, por sua vez, é o atual 9º do ranking e teve uma trajetória mais sinuosa até a final. Apesar de também só ter enfrentado dois cabeças de chave, ele teve de lidar com três ex-top 10: Hubert Hurkacz, Denis Shapovalov e Stefanos Tsitsipas. O grande desafio do americano, porém, veio nas quartas de final, quando teve de encarar o atual campeão e favoritíssimo Carlos Alcaraz.

Zverev vive o melhor ano da carreira

Poucos jogadores tiveram uma temporada tão consistente quanto Zverev em 2026. O alemão chegou à semifinal do Australian Open, foi campeão de Roland Garros e vice em Wimbledon antes de alcançar novamente a decisão em Nova York. No ano, é o tenista com mais vitórias no total (52) e em Grand Slam (24).

Com o triunfo sobre Khachanov, Zverev se tornou apenas o sétimo jogador neste século a disputar três finais consecutivas de Grand Slam. Antes dele, apenas Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic, Andy Murray, Jannik Sinner e Carlos Alcaraz haviam conseguido o feito.

O alemão é ainda um dos nove jogadores da Era Aberta a alcançar as semifinais dos quatro Grand Slam em uma mesma temporada. Aos 29 anos, disputa sua sexta final de Major e a segunda no US Open, onde foi vice-campeão em 2020, após abrir 2 sets a 0 sobre Dominic Thiem e levar a virada.

Sascha também tem uma motivação adicional no ranking. Ele igualou Jannik Sinner na pontuação da corrida para o ATP Finals de Turim, com 7.950 pontos, e leva vantagem nos critérios de desempate. Caso conquiste o US Open, abrirá 700 pontos sobre o italiano na classificação da temporada. Mais do que isso, o título também o colocaria na briga por um objetivo que ainda não alcançou: assumir o número 1 do mundo.

Shelton chega à primeira grande decisão

A história de Shelton em Grand Slam é bem mais curta, mas teve duas derrotas dolorosas antes da chegada à final. Em 2023, apenas um ano depois de se profissionalizar, o norte-americano alcançou a semifinal do US Open, mas foi derrotado por Novak Djokovic. Dois anos depois, chegou novamente entre os quatro melhores de um Slam, desta vez no Australian Open, mas caiu para Jannik Sinner. Em ambos, seus algozes terminaram como campeões.

Agora, aos 23 anos e 11 meses, o canhoto de Atlanta finalmente terá a oportunidade de disputar o título e, quem sabe, derrubar um tabu iniciado quanto tinha menos de um ano de idade. O último norte-americano campeão do US Open masculino foi Andy Roddick, em 2003. Desde então, apenas o próprio Roddick, em 2006, e Taylor Fritz, em 2024, haviam chegado à final.

Shelton também será o primeiro homem negro a disputar a decisão do US Open desde Arthur Ashe, que foi campeão em 1968 e vice em 1972. Ele, porém, tenta não deixar o peso histórico dominar a preparação. “Este torneio inteiro, a esta altura, tem sido um território desconhecido. Estou em posições em que nunca estive antes. Só estou animado para colocar tudo em quadra”, afirmou.

Com a campanha em Flushing Meadows, o americano está subindo da quinta para a quarta colocação no ranking, registrando seu novo recorde pessoal. Na corrida para o Finals, ele ultrapassará três concorrentes e ocupará o terceiro lugar, atrás apenas de Zverev e Sinner.

Zverev nunca perdeu para o rival

O retrospecto é o principal argumento a favor de Alexander Zverev antes da final. O alemão venceu os cinco encontros anteriores com Shelton e cedeu apenas um set. Será o primeiro duelo entre eles em um Grand Slam e o segundo em finais. No ano passado, Sascha bateu Shelton em sets diretos no saibro de Munique e comemorou o título em casa.

Veja o histórico completo:

ATP Finals 2025 (fase de grupos) — Alexander Zverev v. Ben Shelton, 6/3 7/6(6)

Masters 1000 de Cincinnati 2025 (quartas de final) — Alexander Zverev v. Ben Shelton, 6/2 6/2

ATP 500 de Stuttgart 2025 (semifinal) — Alexander Zverev v. Ben Shelton, 7/6(8) 7/6(1)

ATP 500 de Munique 2025 (final) — Alexander Zverev v. Ben Shelton, 6/2 6/4

Masters 1000 de Cincinnati 2024 (quartas de final) — Alexander Zverev v. Ben Shelton, 3/6 7/6(3) 7/5