Não posso dizer que a notícia de adiamento do retorno de João Fonseca ao circuito tenha me surpreendido. Fontes já me diziam que havia sérios riscos de ele sequer jogar a Copa Davis contra a Suíça na sexta-feira, mas ele foi para o sacrifício, cumpriu sua missão com louvor e lágrimas e certamente virou um tremendo alívio o fato que o Brasil tenha liquidado a fatura ainda no jogo de duplas, o que evitou a difícil decisão de mandá-lo novamente à quadra para um quarto jogo decisivo.

Sabe-se que uma lesão no abdômen é sempre delicada, mesmo que não seja de maior gravidade. É uma região muito sensível e exigida pelo tenista profissional. Não por acaso, a primeira providência geralmente se torna uma parada completa de atividade e um retorno bem gradual aos treinamentos mais pesados. Entre o problema surgido em Cincinnati e a partida da Davis, foram exatos 31 dias. Os especialistas dizem que é um tempo consideravelmente curto para a recuperação, ainda que não se saiba com certeza o tamanho da lesão.

Dessa forma, desistir mais uma vez de competir na Ásia virou solução óbvia. Fonseca competiria pela primeira vez no 500 de Tóquio e no 1000 de Xangai. Com a mudança de calendário, especula-se a volta em Bruxelas ou Lyon, torneios de nível 250 que acontecem a partir de 19 de outubro, preparação importante para a defesa do título e dos 500 pontos da Basileia. Logo em seguida, há ainda o Masters de Paris, um dos dois únicos Masters que ainda são disputados numa só semana.

Com isso, o carioca ganha mais 30 dias para buscar a completa recuperação física, o que precisa ser a prioridade absoluta de momento. Claro que ele dá adeus à pequena chance de chegar ao top 10 e, quem sabe, ao Finals de Turim. Com 1.200 pontos somados nesta temporada cheia de problemas médicos, ele teria de fazer campanhas quase perfeitas para sonhar com uma arrancada de última hora.

No ranking da temporada – a partir de agora, sempre melhor olhar esta listagem para se avaliar o final do ano -, ele ocupa o 35º lugar, mas está a apenas 150 pontos de permanecer no top 30, o que seria um objetivo importante e realista nesta altura do campeonato. Melhor ainda seria ficar entre os 25 mais bem colocados, mas isso já exige um ganho de pelo menos 430 pontos.

O sofrido SP Open

A estrutura montada no Parque Villa-Lobos segue espetacular, mas o SP Open não conseguiu de novo atrair grandes nomes para o 250 paulistano, tão grudado no US Open e tão fora do roteiro asiático que o circuito percorre a partir desta segunda-feira. Nem Leylah Fernandez compareceu, deixando as honras da casa para Paula Badosa, que arrancou suspiros mas não passou da semifinal.

Poderia ser ainda mais penoso, porque nesse mesmo sábado Luísa Stefani e a canadense Gabriela Dabrowski viveram perigosamente e escaparam quase por milagre da derrota para uma surpreendente dupla chinesa. A presença de Maria Sharapova – contratada por um patrocinador e não pela promotora do evento – tratou de salvar a lavoura. Agitou as alamedas do torneio, interagiu com público, personalidades e tenistas. Brilhou como sempre.

Só não conseguiu entregar o troféu à campeã porque o domingo voltou a sofrer com o mau tempo e só viu sete games disputados numa jornada que se estendeu por quase oito intermináveis horas de espera. A segunda-feira viu então um sol de rachar no Parque e obrigou as duas finais a serem disputadas de forma simultânea. Luísa levou outro susto e por pouco não ficou sem o bi, enquanto a jovem espanhola Kaitlin Quevedo, 90ª do ranking, levou o título individual em cima da argentina Nadia Podoroska, em sua batalha particular por se recuperar após contusão no quadril.

Torneio muito importante para alavancar o tênis feminino nacional, tivemos apenas uma vitória em simples, da promissora Nauhany Silva, reflexo do momento lento de renovação que passamos. Luísa por seu lado cumpriu o papel de maior nome do tênis brasileiro atual.

O lado negativo, para variar, foram tantas arquibancadas vazias no estádio principal, principalmente quando o sistema indicava esgotamento dos ingressos. Algo segue errado. Ou as pessoas compram e não vão – será? -, ou existem convites demais sendo dados e não honrados. Também as quadras secundárias continuam modestas demais. São talvez as mais concorridas e, sem conseguir lugar nos poucos assentos, fica inviável acompanhar os jogos. É preciso corrigir isso para a festa ser completa.