Campeã do Australian Open Junior Series no último domingo, em Porto Feliz, Maria Eduarda Carbone será estreante em Grand Slam na próxima temporada. A classificação para Melbourne confirma o bom momento da catarinense de 16 anos e premia o esforço feito para que ela possa se manter no circuito.

Uma semana antes de vencer a seletiva sul-americana, Carbone havia conquistado o J200 de Salta, em quadras de saibro na Argentina, o que lhe rendeu um salto no ranking, do 150º para o 102º lugar. Como profissional, ela tem oito pontos na WTA e ocupa o 1.300º lugar do ranking.

A trajetória de Duda no tênis começou com o pai, Ednaldo, no Lagoa Iate Clube (LIC) em Florianópolis: “O tênis entrou na minha vida porque o meu pai trabalhava em um clube, que era perto de onde a gente morava. Comecei com três ou quatro anos a ir com ele, porque a minha mãe também trabalhava”, disse Carbone a TenisBrasil em entrevista realizada no mês de abril, em São Paulo.

E o talento ainda poderia ter sido aproveitado em outro esporte, já que ela também jogava futebol, mas mudou de planos depois de uma lesão: “Fui pegar o gosto com uns 10 anos, porque antes jogava futebol e gostava mais. Meu clube tinha todas as modalidades e eu ia normalmente para jogar futebol e depois fazer o tênis. Quando eu quebrei o braço eu pensei: ‘Já era, não posso jogar os dois ao mesmo tempo’. E eu me via mais competindo no tênis que no futebol”.

Aluna de uma escola pública na capital catarinense, Duda divide a rotina de treinos e competições com os estudos. Ela também utiliza as redes sociais na busca por apoiadores que auxiliem o desenvolvimento de sua jovem carreira. No fim de agosto, foi criada uma vaquinha para arrecadar fundos que auxiliem nas viagens para cinco torneios na América do Sul.

“Os resultados são fruto do que venho trabalhando muito duro com o meu pai, que é meu treinador. Tem sido difícil, mas minha família tem conseguido lidar bem. O pessoal que nos acompanha sabe da luta que está sendo todo dia”, acrescentou a tenista. “A escola que eu estudo me libera. Depois eu volto e faço os trabalhos. Vou acompanhando e o pessoal da minha turma me manda o que eu tenho que estudar e depois mostrar para os professores”.

“Passou um filme na minha cabeça”, disse ao lembrar de Roland Garros

A vaga no primeiro Grand Slam da temporada também marcou um recomeço para a catarinense, que havia perdido a final do Roland Garros Junior Series, em abril, para Eduarda Gomes. Ela chegou a reencontrar a paranaense na fase de grupos em Porto Feliz e venceu em três sets.

“Estou muito feliz porque, em Roland Garros acabei batendo na trave e perdi na final. Passou um filme na minha cabeça hoje, mas eu me preparei muito bem e estou muito feliz”, disse após a vitória do último domingo sobre a argentina Sofia Cuoco por 6/4 e 6/3. “No começo estava dando tudo errado. Não estava conseguindo fazer o meu jogo, estava muito tensa. Mas a partir do momento que eu competi em todos os pontos, eu consegui virar”.

Amizade e inspiração em Naná Silva

Na Austrália, além de vivenciar o ambiente do tênis de alto nível, Carbone terá a companhia de uma grande amiga, a paulista Nauhany Silva, também de 16 anos e número 5 do ranking juvenil. Ela falou a TenisBrasil no início da temporada sobre a amizade com Naná e o momento da nova geração feminina do país:

“Acho que o Brasil está numa fase muito boa, com muitas meninas de 2010 e 2011 chegando. Minha favorita é a Bia e também me inspiro bastante na Naná, que é minha amiga. Ela fica na minha casa quando tem torneio em Floripa. E quando vou para São Paulo, fico na casa dela. Dá para chegar, mas tem que trabalhar muito duro todos os dias para chegar lá”.