Nova York (EUA) – Alexander Zverev finalmente conquistou o US Open e, depois da vitória sobre Ben Shelton na final deste domingo, falou principalmente sobre o significado de levantar em Nova York um troféu que havia escapado de suas mãos seis anos atrás. O alemão perdeu a decisão de 2020 depois de abrir dois sets a zero contra Dominic Thiem, mas afirmou que as marcas daquela derrota já não o acompanham. Para ele, a conquista de Roland Garros foi determinante para mudar sua relação com as finais de Grand Slam.

“As cicatrizes da final de 2020 desapareceram depois que ganhei em Paris”, afirmou. Segundo o alemão, o primeiro Grand Slam da carreira também mudou sua relação com as grandes decisões. Antes de conquistar Roland Garros, ele convivia com a pressão de ainda não saber se conseguiria finalmente levantar um troféu de Slam. “Eu sentia muito estresse o tempo todo, porque sempre havia uma interrogação: ‘Será que vou ganhar um?’”, contou.

A partir daquele título, Zverev passou a encarar as finais de outra maneira. A preocupação com a possibilidade de nunca ser campeão deu lugar a uma postura de aproveitar a experiência de disputar os maiores jogos do circuito. “O que penso agora é mais uma questão de aproveitar essas finais”, explicou.

O alemão lembrou que, apesar da derrota para Thiem em 2020, já havia conseguido aproveitar parte daquela experiência. O que mudou depois de Roland Garros foi justamente a pressão que carregava antes dessas oportunidades. “Mesmo tendo perdido a final, gostei da partida, gostei de estar em uma final de Grand Slam, gostei de jogar na quadra central, gostei de jogar diante de uma torcida incrível, diante de algumas celebridades e tudo isso. Eu gostei de fazer aquilo”, disse.

Zverev se vê como melhor do mundo no momento, mas pondera

O novo campeão do US Open também recebeu uma pergunta inevitável: é hoje o melhor jogador do mundo? Zverev evitou uma resposta absoluta, mas reconheceu que, considerando o momento atual, pode ocupar esse posto. “Com Jannik [Sinner] lesionado e Carlos [Alcaraz] voltando de lesão depois de quatro meses, agora, neste momento, provavelmente sim. Os dois saudáveis e no auge do jogo, talvez não”, avaliou.

O alemão fez questão de colocar Sinner à frente quando todos os principais nomes estão em plena condição. Ele lembrou que, alguns meses atrás, o italiano vinha levando vantagem nos confrontos entre os dois. “Há quatro ou cinco meses, quando os dois estavam saudáveis, eu não era [ o melhor]. Eu estava perdendo para Jannik o tempo todo. Se todo mundo estiver saudável, acho que Jannik ainda está à frente. É simples assim.”

Zverev também foi questionado sobre a fama de ser um dos jogadores que mais trabalham no circuito. O alemão não rejeitou o rótulo e afirmou que sua trajetória foi construída principalmente com muitas horas de treinamento. “Acho que estou lá em cima, com certeza, porque já disse antes: não acho que sou o mais talentoso de maneira alguma. Não acho que tenha um talento dado por Deus como alguns outros caras têm. Grande parte do meu tênis vem do trabalho duro, de muitas horas na quadra e de muitas horas na academia e na quadra. É assim que jogo tênis.”

Elogios a Shelton

Ainda durante a coletiva, Sascha fez questão de elogiar Shelton pelo crescimento apresentado no US Open. Para ele , o norte-americano já não é apenas um jogador com saque e forehand potentes. “Ele é muito talentoso, mas também está muito próximo do trabalho duro. Você vê ele e o pai o tempo todo, depois dos jogos, antes dos jogos, trabalhando em coisas diferentes, e a cada ano ele continua melhorando alguma coisa.”

O alemão destacou especialmente a evolução do backhand de Shelton. “Acho que este foi o melhor backhand que ele já bateu contra mim, a maior consistência de potência. Estava tudo ali. Lembro que, alguns anos atrás, quando joguei contra ele pela primeira vez. Ele sempre foi perigoso, sempre teve aquele saque e sempre teve aquele forehand, mas se você jogasse três ou quatro bolas, vinha um erro. Hoje, isso absolutamente não aconteceu.”

Homenagem à mãe após o título

A comemoração também teve espaço para uma homenagem especial. Zverev falou sobre a mãe e lembrou o diagnóstico de diabetes que recebeu aos 4 anos. Segundo ele, os médicos chegaram a dizer que a doença poderia limitar sua vida e a prática esportiva. “Quando seu filho de 4 anos é diagnosticado com diabetes, e os médicos no consultório dizem que a vida e os esportes serão muito limitados para aquela criança, é preciso uma mãe muito forte para sair daqueles consultórios e dizer: ‘Meu filho estará onde ele quiser estar’.”

Zverev contou que a mãe se recusou a permitir que a doença definisse o seu futuro. “Se ele quiser ser jogador de tênis, ele será jogador de tênis. Se ele quiser fazer outra coisa, ele fará outra coisa. Mas essa doença não nos definirá.” Por fim, o alemão voltou a destacar a importância dela em sua trajetória. “Minha mãe é a pessoa mais importante e mais forte que eu conheço. É preciso uma mulher incrivelmente forte para fazer o que ela fez.”

Zverev estava tão concentrado que errou o placar

Se a final teve um momento curioso para o público, ele aconteceu justamente no fim. Depois de fechar a partida em 6/2, Zverev caminhou para o fundo da quadra como se o jogo ainda não tivesse terminado. A explicação veio na coletiva. “Eu achei que estava 5/1. Sabia que tinha quebrado o saque dele duas vezes, mas achei que estava 5/1 em vez de 6/2, o que me ajudou de certa forma, porque não fiquei realmente nervoso para sacar para o jogo.”

Zverev explicou que estava completamente concentrado naquele momento e sequer conseguiu ouvir a arbitragem anunciar o fim da partida por causa do barulho da torcida. “Naquele momento, eu estava muito no meu mundo. Não ouvia barulho nenhum. Estava naquele tipo de túnel em que simplesmente não ouvia nada”, revelou.