Se Alexander Zverev realmente pretende aproveitar a ausência de Jannik Sinner e ameaçar de vez sua liderança do ranking, é bem provável que precise tirar uma série de italianos do seu caminho neste US Open. O primeiro deles deu gigantesco trabalho na noite desta terça-feira e por muito pouco Lorenzo Sonego não transformou o alemão no primeiro cabeça 1 a perder logo de cara num Grand Slam em 23 anos.
Tenista com maior número de vitórias na temporada, com 47, mas dono de um único título, justamente Roland Garros, Zverev tem sido o principal favorito nos três grandes torneios do verão norte-americano, mas sem brilhar em Montréal e Cincinnati. A estreia no US Open no entanto teve muito mais méritos de Sonego, que devolveu com coragem e mostrou enorme empenho físico, ficando bem perto de enfim ganhar de Zverev – agora são sete derrotas – num quarto set disputado palmo a palmo. Só caiu mesmo de qualidade no quinto set, mas ainda assim teve break-point que lhe daria 3/1 de vantagem.
Na próxima rodada, o alemão será favorito diante do francês Quentin Halys, mas o atual 52º do ranking exigiu nas duas vitórias anteriores, ambas nesta temporada, em Miami e em Roland Garros. Depois do sufoco desta terça-feira e das 4h53 de batalha, preservar o físico se torna prioridade. O número 2 do ranking pode ter outro italiano, Lorenzo Musetti ou Luciano Darderi, já na terceira rodada e quem sabe reencontre Flavio Cobolli lá na semi.
Enquanto isso, Gael Monfils impediu com muita categoria que o 200º jogo de Slam fosse também seu último. Começou a partida contra o paraguaio Daniel Valejo, de 22 anos e 60º do ranking, um tanto descalibrado, mas pouco a pouco assumiu o controle e deu o habitual show, mostrando enorme agilidade.
Foi ao mesmo tempo perfeita comemoração de seu 40ª aniversário – com direito a “Parabéns” entoado pelo público -, o que o tornou o jogador de maior idade a ganhar uma partida em Nova York desde Jimmy Connors, em 1992. Semifinalista do torneio há exata uma década, Monfils disputa seu 18º US Open e enfrentará na quinta-feira um adversário ainda mais jovem e perigoso, o canhoto Learner Tien, de 20 anos. É partida para superlotar o estádio Arthur Ashe.
Quem disse que ele fez 40 anos hoje? pic.twitter.com/7ZNHGsKW47
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Resumão
– A façanha masculina do dia foi a virada de Flavio Cobolli depois de ver o argentino Francisco Comesana ganhar os dois primeiros sets. O Italiano nunca havia obtido uma reação dessas.
– Seu compatriota Lorenzo Musetti deu pouca chance ao surpreendente semifinalista de Wimbledon, Arthur Fery. Atuação muito sólida.
– Taylor Fritz não perde antes das quartas do US Open desde 2023 e fez final em 2024. Economizou energia contra o garoto Darwin Blanch.
– “Jogar sem dor, isso não existe. Não percebemos a intensidade do nosso ofício. Empurramos nossos corpos além do limite. O corpo não é feito para isso. É preciso treinar cada vez mais”, foi o desabafo de Corentin Moutet.
– O canhoto Adrian Mannarino se tornou o segundo jogador mais velho da Era Aberta a virar um jogo de dois sets atrás, aos 38 anos e 62 dias, ao superar o argentino Thiago Tirante.
– Elena Rybakina teve o primeiro teste sobre suas condições físicas e garante ter saído satisfeita. “Vamos ver como me sinto amanhã”, afirmou sobre a longa pausa em que mal fez preparo físico.
– A cazaque pode cruzar na terceira rodada com Maria Sakkari, que parecia em maus lençóis quando Robin Montgomer abriu 6/2 e 4/0.
– Foi exatamente o oposto do que aconteceu com a cabeça 12 Belinda Bencic, que teve set e quebra acima e foi batida pela gerreira Yulia Putintseva.
– Embalada pelo título em Cincinnati, Coco Gauff pareceu confiante em quadra.
Coco Gauff: muita qualidade pic.twitter.com/O7xXFdmVeC
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– Não houve sustos na estreia de Mirra Andreeva. A campeã de Paris chega a sua 41ª vitória em 2026, o maior número em uma única temporada da curta carreira. O US Open é o único dos Slam em que ainda não passou para a segunda semana.
– O dia chuvoso adiou estreia importantes, como as de Alex de Minaur, Rafael Jódar e Iva Jovic.
– Luísa Stefani e Gabriela Dabrowski serão cabeças 2 e, a rigor, espera-se uma semi contra Anna Danilina/Aleksandra Krunic ou Hanyu Guo/Kristina Mladenovic, duplas que bateram o dueto da paulistana neste ano. Laura Pigossi também conseguiu vaga ao lado da húngara Panna Udvardy.
– As irmãs Williams são atração e começam diante das cabeças 14, Hao-Ching Chan e Maya Joint.
