O US Open é, sem dúvida, o mais festivo torneio do Grand Slam. Mas esse ano, novamente, faltou a cereja do bolo, que seria a vitória de um tenista da casa. O último a vencer em Nova York foi Andy Roddick, hoje um dos mais festejados comentarista de tênis. Mérito para Alexander Zverev, que conquistou o segundo título de Slam depois de Roland Garros, ao bater o genial Ben Shelton.
Com mais essa vitória, o tenista alemão passa a ser o líder no ranking da temporada (lista antigamente conhecida como corrida dos campeões). E vai rivalizar com Jannik Sinner no swing asiático, nos torneios de Pequim e Xangai. Mesmo com um excelente ano, Zverev foi discreto ao comentar se seria o melhor do mundo na atualidade. Lembrou que tanto o italiano como Carlos Alcaraz estão passando por problemas físicos e não disputaram todos os Slams.
A indiscutível vitória de Zverev por 3 sets 1 não afastou uma discussão sobre o demora do alemão do primeiro para o segundo serviço. Chega a bater 18, 20 vezes a bolinha. Ele até foi punido no quarto set por violação de tempo. Mas não há regra entre os serviços. A situação provocou reclamações de Ben Shelton e de seu pai e treinador. Mas nada pôde ser feito.
Os mais antigos no tênis talvez lembrem do norte-americano Mark Dickson. Ele não só ficava um tempão batendo a bolinha antes do saque, como fazia uma paradinha o que levava o adversário a supor que iria completar o serviço. Mas voltava a bater a bola. Quebrava todo ritmo de jogo e deixava o oponente em constante alerta.
No caso de Zverev não vejo que haja a intenção de “iludir” o adversário, mas nos bastidores estão pedindo alguma regulamentação. Aliás esse US Open causou discussões nos corredores sobre mudanças nos Slams. Chegou-se até a cogitar o fim de melhor de cinco sets para as primeiras rodadas. Os americanos podem até querer, mas não vejo que os conservadores integrantes do Comitê dos Grand Slams sequer pensem no assunto.
Uma mudança que não deu certo foi o credenciamento de dezenas de “influenciadores”. Na ânsia de produzir conteúdos causaram verdadeira baderna em algumas partidas.
A USTA na organização do US Open sempre foi inovadora. Afinal, foi o primeiro torneio a colocar música e agitação entre os games. Hoje uma sessão noturna na Arthur Ashe é de uma atmosfera eletrizante. Um show de cores, música e tempero para as emoções em quadra.
A questão dos influenciadores está resolvida. Afinal, Wimbledon já saiu na frente e garantiu que não serão credenciados. Há realmente uma discrepância nesse sentido. TVs que não possuem os direitos de transmissão e estão no torneio para trabalhos jornalísticos hoje sofrem muitas restrições. São proibidas imagens de entrevistas, das quadras e o credenciado de media não pode sequer usar em suas mídias sociais. Tenho até um colega argentino que costuma contar com a bondade de jogadores de seu país e aceitam gravar entrevistas do lado de fora do complexo. E curioso que isso aconteça pois uma TV costuma ter milhões de expectadores, enquanto alguns influenciadores não chegam a ter o mesmo volume de seguidores. Lembro de quando a Band tinha os direitos exclusivos de Roland Garros, TVs de todo o mundo também faziam entrevistas com os jogadores sem restrições.
O US Open é maior do que todas essas controvérsias. E fez uma linda homenagem a um dos meus astros preferidos no tênis: Jimmy “Jimbo” Connors. Nas coberturas internacionais, sempre que tinha um tempo procurava o jogo do norte-americano. Super talentoso e assistir a uma partida sua era uma experiência e tanto. Connors entregou o troféu de campeão a Zverev, com a autoridade de ter sido campeão do US Open em três diferentes superfícies.
