Alexander Zverev foi empossado, na matemática e no palco, como o novo líder do ranking masculino, o 30º diferente nome a assumir a ponta do ranking, o mais velho a fazê-lo de forma inédita e o segundo alemão desde a criação do sistema, em agosto de 1973. Desde então, houve 119 trocas de número 1.
Campeão olímpico e duas vezes vencedor do Finals, Zverev começou a temporada 2026 com três finais de Grand Slam perdidas e menos da metade dos pontos que tinham o então líder Carlos Alcaraz e o vice Jannik Sinner.
Os jogos mais longos sempre pareceram seu maior problema, já que Sascha muitas vezes não conseguiu manter um tênis solto e ofensivo nos momentos cruciais e isso se tornou um problema.
Assim, desde a segunda metade do ano passado, ele prometeu que iria bater mais forte, correr mais riscos, ficar mais versátil, principalmente ousando junto à rede. Diz ele que tudo começou quando passou 10 dias treinando com Rafa e Toni Nadal em Mallorca, em julho do ano passado. “Queria ouvir uma nova versão sobre como meu tênis deveria ser”.
Ele não abandonou seu grupo familiar. O pai Alexander Sênior nunca deixou de ser seu treinador e o irmão Mischa subiu à condição de auxiliar e parceiro de treinos quando encerrou a carreira em 2023. Aliás, a relação com o pai é tão forte que eles juram que não se separam nem mesmo fora das quadras. “Nunca me forçaram a nada, mas o fato muito positivo é que os dois jogaram tênis”, sacramenta.
Muito do estilo mais agressivo veio de Mischa e o sinal mais evidente de que Zverev enfim atingiu um novo patamar não veio em suas conquistas de Roland Garros ou do US Open, mas do Grand Slam em que perdeu o título. FOi em Wimbledon onde acredito que tenha jogado seu melhor tênis da temporada, mostrando um padrão definitivamente ofensivo.
Permanência esticada
Uma coisa é certa: Zverev somará ao menos 13 semanas como líder do ranking até o Australian Open terminar e isso já o fará superar as 12 semanas do compatriota mais famoso, Boris Becker. Um cálculo mais apurado mostra que há pequena chance de alguém o ameaçar até o final de março e, se isso acontecer, ele chegará a 22, superando o domínio de 16 de Daniil Medvedev e até mesmo os 20 de Mats Wilander.
A conta é basicamente simples. Sinner aparece esta segunda-feira 100 pontos atrás, mas irá perder os 1.500 do Finals. Ainda tem 800 da semi em Melbourne e a pequena chance residirá em Zverev se sair muito mal em Paris, Turim e Melbourne. Daí começa o período em que o italiano ganhou cinco Masters seguidos. Pode reagir em Roland Garros, mas aí defende Wimbledon.
Carlitos está 3.550 pontos atrás de Zverev. Soma tudo neste Masters de Paris, precisa repetir os 1.000 da decisão do Finals e é o atual campeão da Austrália. Depois, fez 450 entre Indian Wells e Miami e apenas 700 no saibro e na grama. É portanto o momento em que tem chance de iniciar a luta para recuperar a ponta, mas estamos falando lá na metade do próximo calendário.
O alemão já descontou Paris nesta segunda-feira, ganhou apenas um jogo no Finals de 2025, fez semi na Austrália e somou 800 entre Indian Wells e Miami. O saibro europeu será assim o momento delicado, com 3.000 pontos a repetir.
Existe um quarto nome para entrar nessa briga? Há quem aposte no canhoto Ben Shelton e, entre eles, está o ex-treinador de Zverev e Alcaraz, o super gabaritado Juan Carlos Ferrero. Numericamente, Shelton soma tudo no Finals, e tem somente 460 pontos a defender entre janeiro e março.
E será que Ferrero selou o cavalo certo? Na minha opinião, ele fez uma escolha bem acertada. Físico privilegiado e dono de saque devastador, Shelton tem muita coisa a ser melhorada no seu estilo, principalmente os golpes de base, onde pode ficar bem mais sólido. Aos 24 anos, já é dono de currículo e experiências consideráveis e, ao que tudo indica, possui um predicado que Ferrero admira: muita fome de bola.
Se o fantasma das lesões deixar o topo do tênis masculino em paz, vislumbra-se um 2027 muito interessante.
