Pequim (China) – Esperança chinesa, Qinwen Zheng está a uma vitória de conquistar um título inédito diante de sua torcida. Primeira jogadora do país a alcançar a final do WTA 1000 de Pequim, ela reconheceu a pressão de atuar em casa. Neste sábado, superou a belga Elise Mertens por 7/5 e 6/2, em 1h32, e garantiu o duelo contra a russa Mirra Andreeva.

“Tenho muito orgulho de jogar diante da minha torcida. Sempre quero mostrar meu melhor nível porque sei o quanto me apoiam. Não quero decepcioná-los, mas também não quero decepcionar a mim mesma. De certa forma, é uma pressão, mas ao mesmo tempo me dá motivação. Preciso saber usar isso da maneira certa”, afirmou Zheng. A final acontece neste domingo, por volta das 8h30, pelo horário de Brasília.

Ex-número 4 do mundo e atual campeã olímpica, ela batalha para conquistar seu primeiro WTA 1000 depois de uma longa recuperação. Uma cirurgia no cotovelo direito, realizada em 2025, comprometeu sua sequência no circuito e provocou uma queda acentuada no ranking.

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A jovem atleta, que completou 24 anos na quinta-feira, chegou a ocupar a 160ª colocação em junho e precisou disputar o qualificatório do US Open, mas reagiu com uma campanha memorável até as quartas de final em Nova York.

A recuperação também passou por uma mudança de postura durante os treinamentos na Flórida. “Foi um período muito difícil, não apenas fisicamente, mas também mentalmente. Meu ranking estava baixo e eu precisava ouvir meu treinador”, reconheceu.

“Quando estava no top 10, encontrava motivos para dizer não. Dessa vez, precisei aceitar as orientações e ser mais humilde”, disse Zheng, que admitiu ter se acomodado após os bons resultados do passado.

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A campanha em Pequim já garante uma importante recuperação no ranking. Depois de iniciar o torneio no 54º lugar, Zheng está subindo provisoriamente para a 28ª posição e poderá avançar ainda mais caso conquiste o título. A chinesa também disputa sua segunda final de WTA 1000, depois do vice-campeonato em Wuhan, em 2024.

Zheng considera que encontrou seu melhor ritmo ao longo da competição, especialmente depois de enfrentar três partidas consecutivas de três sets. “Quanto mais jogos disputo, mais solta me sinto e melhor consigo jogar. Tenho um potencial muito alto, mas preciso encontrar meu ritmo. Meu objetivo é ser agressiva e, ao mesmo tempo, manter a regularidade”, explicou.

Maturidade e inspiração no Big 3

Na decisão, ela reencontrará Andreeva, que derrotou a tcheca Nikola Bartunkova por duplo 6/2 na outra semifinal. As duas se enfrentaram apenas uma vez, justamente em Pequim, nas quartas de final de 2024, quando Zheng venceu de virada por 5/7, 6/0 e 6/4. A chinesa espera um confronto mais exigente diante da atual campeã de Roland Garros.

“Nesses dois anos, nós duas amadurecemos. Ela conquistou Roland Garros, um grande feito, e merece os parabéns. É uma adversária muito difícil, que luta por todos os pontos e tem muita regularidade. Mas eu também sou uma jogadora difícil de enfrentar. Será uma grande batalha”, avaliou Zheng.

A chinesa também revelou que não pretende se contentar com uma boa campanha isolada. Ao falar sobre sua versão ideal, citou os integrantes do Big 3 como exemplo de domínio e regularidade. Zheng quer utilizar os feitos de Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic como inspiração.

“Quero vencer muitos jogos, como eles faziam no auge. Ter aquela aura, aquela força que faz parecer que a vitória já está ao seu lado. Não quero jogar bem apenas em um torneio, quero manter um nível alto em muitas competições”, concluiu a chinesa.