Poderia ter sido mais fácil. João Fonseca tinha o domínio do jogo, contando também com um dia menos inspirado do holandês Botic van de Zandschulp, até que veio um momento de desconcentração e quase o segundo set foi embora. Na hora certa, o top 30 brasileiro recuperou a confiança e conseguiu importante estreia vitoriosa no Masters 1000 de Cincinnati.

O começo de partida preocupou porque outra vez Fonseca não parecia tão ligado. Perdeu logo o segundo game de serviço e deu certa sorte ao ver Zandschulp cometer duplas faltas e devolver a quebra. Daí em diante, o brasileiro foi superior. O saque e o forehand funcionaram muito bem diante de um adversário perigoso, capaz de bater bolas rápidas da base e surpreender junto à rede.

Quando abriu 4/1 no segundo set, o jogo parecia liquidado. O tênis no entanto é cruel. Bastou um momento de instabilidade para a confiança oscilar. Experiente, Zandschulp percebeu sua chance e chegou a ter break-point para virar de vez para 5/4. Fonseca explorou bem o saque no backhand, saiu do sufoco e voltou a jogar com autoridade o tiebreak.

Não irá acontecer o reencontro com Casper Ruud na terça-feira porque o norueguês sentiu as costas e abandonou no segundo set diante do bom sacador australiano Chris O’Connell, que anotou 13 aces nos sete games em que teve o serviço. Ou seja, Fonseca precisará devolver com qualidade e cuidar muito bem do próprio saque para não ficar no sufoco.

Subindo nas estatísticas

Fonseca chega a sua 16º vitória em 29 partidas já feitas em chave principal de Masters 1000, estatística que o coloca atrás somente de Guga Kuerten (109) e Thomaz Bellucci (33) entre os brasileiros que mais triunfaram neste nível de torneio.

Em termos percentuais, seu aproveitamento sobe para 55%, índice superior a qualquer outro tenista nacional em torneios 1000, exceto Kuerten, que encerrou a carreira com espetaculares 63,7%.

Ao mesmo tempo, Fonseca marca a 27ª vitória da jovem carreira sobre o piso sintético e entra na lista dos 10 brasileiros com maior número de triunfos na superfície, liderada por Guga (147), Luiz Mattar (85) e Bellucci (66).

Claro que é muito cedo para comparações, mas não deixa de ser notável o fato de que ele atinge 67,5% de eficiência na quadra dura, índice que é superior no momento a qualquer outro profissional brasileiro. Guga encerrou com 62,3% e Thomaz Koch, com 57,8%. Apenas Mattar e Carlos Kirmayr têm também saldo positivo, ou seja, acima dos 50%.

E mais

– Zverev teve trabalho com Norrie na estreia para marcar a 45ª vitória da temporada e assumir a liderança no quesito. Alemão precisa ir longe em Cincinnati para disputar liderança no ranking do ano com Sinner.

– Jódar se envolveu em polêmica ao parar o terceiro set por três vezes contra Shapovalov para trocar o cadarço. Uma delas demorou cinco minutos. Canadense não gostou, porém teve o jogo na mão: 5/2 e 5/4 com saque a favor.

– Djokovic sentiu o calor e a umidade – e olha que a sensação foi de “apenas” 31 graus -, se arrastou em quadra em alguns momentos e caiu para Tirante logo na estreia. Só mesmo a rodada noturna e eventual teto fechado podem ajudar em Nova York.

– Embalada pelo título em Toronto, Swiatek teve estreia tranquila e vai encarar Sakkari. A vice no Canadá também se adaptou rapidamente: Rybakina tem boa chave para colocar pressão sobre Sabalenka em mais um capítulo pela tentativa de chegar ao número 1.