Rafael Matos e Orlando Luz mostraram em Cincinatti, sobre um piso ainda mais veloz do que o de Montréal, que se tornaram definitivamente uma dupla bem encaixada sobre o piso sintético, seja no saque ou na devolução. E isso é ótimo prenúncio para o US Open, ainda que nos Grand Slam as partidas tenham terceiro set “normal”.
As 10 vitórias consecutivas lhes deram o raro feito de conquistar os dois Masters do verão norte-americano – são apenas o quinto dueto com a dobradinha – e tiveram peso relevante. Nada menos que cinco delas aconteceram contra parcerias classificadas entre o terceiro e o sexto lugares do ranking da temporada e seis vieram no match-tiebreak, momento sempre tenso que exige a delicada mistura entre ousadia e confiança.
Com essa arrancada um tanto inesperada e muito bem-vinda, os guris – como o próprio Orlandinho destacou na comemoração – estão muito perto da grande meta da parceria para este ano, que é entrar no Finals de Turim. Nesta segunda-feira, os dois aparecerão em sexto lugar e com 3.860 pontos somados desde janeiro, apenas 30 abaixo de Christian Harrison e Neal Skupski, a quem derrotaram logo na estreia de Cincinnati.
Essa quantidade de pontos já classificaria os gaúchos para Turim com base no ranking final dos últimos cinco anos, que fecharam na casa dos 3.600, mas a lógica atual diz que a linha de corte ideal seja de 4.000 pontos devido ao risco de um lugar ficar reservado a um campeão de Slam. E com um amplo calendário pela frente, incluindo o US Open e a fase asiática, não me parece nada difícil se atingir a meta. Neste momento, Matos e Luz estão a exatos 900 pontos dos nonos colocados.
Gaúchos igualam mineiros
Matos e Luz chegam a cinco títulos como dueto, igualando os recordistas Marcelo Melo e André Sá entre as parcerias totalmente nacionais que participaram no circuito profissional desde 1968. Superam ao mesmo tempo Melo e Bruno Soares e Carlos Kirmayr com Cássio Motta, ambos com quatro. Vale lembrar que Kirmayr e Motta permanece como única dupla brasileira a disputar o Finals, em 1983. Melo, Soares, Stefani, Bia e Jaime Oncins chegaram lá, mas com parceiros estrangeiros.
Eles também repetem outro feito de Melo, que fez a dobradinha Canadá-Cincinnati, ao lado do croata Ivan Dodig, em 2016. Na temporada anterior, o gigante mineiro já havia vencido dois Masters 1000 consecutivos e com parceiros diferentes, em Xangai (com Raven Klaasen) e Paris (com Dodig).
Novo salto histórico no ranking
Com a nova campanha espetacular, Luz ultrapassa Matos no ranking individual de duplas e salta para o 13° posto, três à frente do amigo canhoto. Ele entra assim para o grupo dos oito diferentes brasileiros que já figuraram no top 15 dos rankings profissionais. Guga Kuerten (1) e Bia Haddad (10) são os únicos em simples, enquanto Melo (1), Soares (2), Luísa Stefani (4), Motta (4), Kirmayr (6) e Bia (10) obtiveram em duplas.
Ao mesmo tempo, é apenas a quarta vez que dois brasileiros aparecem simultaneamente entre os 16 mais bem colocados do ranking de duplas, repetindo Kirmayr e Motta na década de 80, depois Melo e Soares nos anos 2000 e mais recentemente Stefani e Bia, em 2023.
Títulos e faturamento
Matos chega ao 15º troféu de ATP e se fixa como terceiro duplista nacional em títulos, atrás dos 42 de Melo e dos 35 de Soares. Orlando soma agora cinco, igualando Oncins, Luiz Mattar e Marcelo Demoliner e ainda atrás de Sá (11), Kirmayr e Motta (10), Guga (8) e Fernando Meligeni (7).
Aliás, os dois títulos de Masters proporcionaram o faturamento bruto de US$ 936 mil à parceria. Agora, cada um deles soma cerca de US$ 650 mil na temporada, mas vale lembrar que esses valores não consideram impostos na fonte que são obrigatórios em todos os países e giram em torno de 30%.
Mais tarde, eu volto para falar das finais de simples e dos qualis do US Open
