O último Grand Slam do ano pode completar a lista das surpresas de 2026. Se no masculino não houve repetição de campeões nos Slams de 2026, os títulos ficaram concentrados entre jogadores que já estavam no topo do ranking — o pior colocado entre os campeões até aqui foi Alexander Zverev, então número 3 do mundo.

No feminino, o cenário foi diferente: Elena Rybakina abriu a temporada vencendo o Australian Open como número 5 do mundo, mas, a partir daí, os títulos passaram a se distribuir de forma mais ampla. Mirra Andreeva conquistou Roland Garros como número 9 do mundo, enquanto Linda Noskova surpreendeu ainda mais ao vencer Wimbledon como número 14. Essa maior variedade entre as campeãs ajuda a explicar por que o US Open chega tão aberto e imprevisível.

Certamente será mais uma chance na temporada para a número 1 do mundo, Aryna Sabalenka, que jogará com muita pressão sobre os ombros.

Além disso, em função das derrotas sofridas ao longo do ano para diferentes jogadoras — Rybakina, Baptiste, Cirstea, Shnaider, Osaka, Pegula e Alexandrova —, seu jogo se tornou mais vulnerável. Surpreendente também é o fato de que, nessa lista, duas derrotas foram por 6/0 no terceiro set, contra Shnaider e Pegula.

O que leva a duas perguntas: o circuito aprendeu a jogar contra ela ou falta confiança para concluir as partidas?

Eu prefiro, porém, uma terceira leitura: o tênis feminino vem evoluindo a passos largos. Bater forte e sacar bem já não é suficiente. Na quadra, é necessário ter coragem, variação e uma fé inabalável nas suas possibilidades.

Nesse aspecto, vêm surpreendendo as grandes atuações de Alex Eala, primeira filipina a entrar no top 20 do mundo, tornando-se a nova sensação do circuito. Mas a corrida do ouro não para por aí.

A polonesa Iga Swiatek amargou muitos meses com péssimos resultados e, agora, com a vitória em Montréal e o retorno ao top 5, demonstra mais sintonia ao lado do técnico espanhol Francisco Roig, que esteve compondo a equipe de Rafael Nadal por 17 anos.

Correndo em paralelo, estão as norte-americanas, jogando em casa, como no caso de Coco Gauff, Jessica Pegula e até Amanda Anisimova, vice-campeã da edição de 2025.

Do lado do Leste Europeu, Mirra Andreeva, que finalmente venceu seu primeiro Grand Slam em Paris, e as finalistas de Wimbledon — as tchecas Noskova e Muchova, embora a segunda tenha tido que se afastar nas últimas semanas para mais uma cirurgia.

Ainda tentando voltar ao seu melhor tênis, Naomi Osaka, cada dia mais madura, também pode surpreender.

De todas, entretanto, a cazaque Elena Rybakina é, sem dúvida, a melhor aposta se o resultado dependesse exclusivamente do nível técnico. Em função do que representa uma vitória desse porte e da possibilidade de assumir a liderança do ranking da WTA, a dúvida é saber se ela aguenta esse peso nas costas.

Assim, a ausência de uma favorita absoluta reforça o caráter imprevisível do US Open e abre espaço para um desfecho que pode marcar a temporada de 2026 como um dos momentos mais surpreendentes do tênis feminino. Em um cenário tão equilibrado, não seria exagero imaginar o título escapando das previsões e encontrando uma campeã inesperada, capaz de transformar o torneio no ponto alto de sua carreira.