Nova York (EUA) – Após marcar incrível virada em quase 4h40 de batalha nas quartas de final do US Open, Frances Tiafoe exaltou a relevância da manutenção dos jogos em melhor de cinco sets nos Grand Slam. O norte-americano argumentou que uma possível mudança no formato seria uma afronta à tradição do esporte.

Indagado se partidas como a que realizou diante do compatriota Alex Michelsen, ao vencer por 5/7, 3/6, 7/5, 6/3 e 7/6 (10-6), são um exemplo, Tiafoe foi categórico. “Concordo 100%. Acho que, no masculino, devemos continuar jogando em melhor de cinco. Não sei para onde está indo essa discussão ou qual é a tendência. Todo mundo tem uma opinião e cada um pensa de uma maneira”, discursou.

“Vimos tantos jogos épicos em cinco sets. Eu adoro cinco sets? Claro que não. Muitas vezes estou vencendo por 2 a 0 e adoraria apertar a mão do cara e ir embora. Mas é o tênis. Cresci vendo tantos jogos incríveis em cinco sets do Novak Djokovic contra Rafa Nadal, Roger Federer contra o Rafa, partidas épicas que duravam horas e horas. É a história do tênis”, sacramentou.

FOE-NOMENAL 🇺🇸

From two sets and a break down, and then a break down in the fifth, Frances Tiafoe defeats Michelsen 5-7, 3-6, 7-5, 6-3, 7-6! pic.twitter.com/8PMMeQ0ETh

— US Open Tennis (@usopen) September 8, 2026

Tiafoe acredita ainda que uma eventual alteração diminuiria o peso dos principais torneios do circuito. “Pessoalmente, sinto que um título de Grand Slam não teria o mesmo valor se fosse conquistado em melhor de três”, assegurou o tenista de 28 anos.

Vitória de “Coração Valente”

A grande batalha contra Michelsen reforçou ainda mais a tese do norte-americano. Tiafoe perdeu as duas primeiras parciais, viu o compatriota sacar para o jogo em 5/4 no terceiro e ainda ficou atrás por 3/0 na série decisiva, mas conseguiu reagir. Ele já havia revertido essa desvantagem em outras duas ocasiões, em Wimbledon de 2024 e Roland Garros deste ano.

“O momento é enorme, não dá para diminuir isso. Ganhei muitas grandes partidas aqui e também perdi algumas muito duras. É uma sensação incrível conseguir vencer desta vez”, comentou o cabeça de chave 11 em Flushing Meadows.

“Do jeito que aconteceu, perdendo por 2 a 0 em sets, ele sacando para o jogo, depois eu ficando atrás com quebra no quinto… Foram tantos momentos em que estive atrás. Foi uma loucura. Definitivamente foi uma vitória ao estilo do filme ‘Coração Valente’. Está entre as minhas maiores vitórias da carreira. Não sei exatamente onde, mas está lá em cima”, afirmou.

Tiafoe esperava que Michelsen sentisse a pressão

Mais experiente, Tiafoe sabia que o compatriota de 22 anos poderia sentir a pressão ao tentar alcançar pela primeira vez uma semifinal de Grand Slam. Além disso, ele havia vencido o amigo californiano nos dois encontros anteriores sem perder set. Michelsen admitiu que estava tenso com o peso do momento e isso custou o jogo.

“Espero que ele fique tenso”, contou Tiafoe sobre o que pensou naquele momento. “Ele me deu alguns presentes, com algumas duplas faltas. Depois comecei aos poucos a encontrar meu ritmo, consegui escapar do terceiro set e fui jogando cada vez melhor”, avaliou.

Michelsen cometeu duas duplas faltas na hora de fechar e viu o amigo ganhar os três games seguintes. “Ele é um baita jogador. Deveria facilmente ter vencido hoje, então todo o crédito para o Alex pelo que fez”, disse o vencedor.

Frances and Alex talk through the moment of today’s match 🫂 pic.twitter.com/P07Yt4j5WZ

— US Open Tennis (@usopen) September 9, 2026

Amigos fora das quadras, os dois protagonizaram um longo abraço na rede depois da partida. Tiafoe revelou que Michelsen chorou em seu ombro durante o encontro. “Gosto muito do Alex, muito mesmo. Só queria chegar lá e cumprimentá-lo. Não achei que fosse durar tanto, mas entendo o momento. Ele estava chorando no meu ombro. Trocamos algumas palavras e foi isso”, confidenciou.

Confiança para conquistar o 1º Grand Slam

Tiafoe disputa pela terceira vez as semifinais do US Open, depois das campanhas de 2022 e 2024. Ex-número 10 do mundo, o norte-americano está subindo provisoriamente para o oitavo lugar do ranking, sua melhor marca da carreira.

“Sou simplesmente uma pessoa diferente. Aquelas duas campanhas foram ótimas e vou guardá-las para sempre, mas não sou a pessoa que era quando cheguei à semifinal em 2022 ou em 2024. Não sou aquela pessoa. Estou animado para ver o que este meu ‘novo eu’ vai fazer na sexta-feira”, avisou. Ele enfrenta o compatriota Ben Shelton ou o espanhol Carlos Alcaraz, atual campeão.

“Estou muito empolgado, mas não sinto como se fosse ‘meu Deus’. Só quero continuar. Tenho expectativas maiores para mim mesmo. O torneio ainda está acontecendo, ainda há muito tênis e muitos sets para jogar. Vamos aproveitar isso, mas precisamos continuar”, encerrou Tiafoe.