Paris (França) – Gilles Simon assumiu a direção de alto rendimento da Federação Francesa de Tênis (FFT) com a tarefa de melhorar a formação de jogadores no país. Em entrevista ao jornal L’Équipe, o ex-profissional reconheceu problemas no trabalho desenvolvido pela entidade, especialmente no feminino, mas descartou mudanças radicais.
“Minha prioridade não é mudar tudo. Acho que esse foi um erro cometido por alguns dos meus antecessores, que chegaram querendo mudar tudo porque consideravam que as coisas não funcionavam. Mesmo quando há problemas, sempre existe algo que dá certo”, afirmou.
Aos 41 anos, ele pretende acompanhar pessoalmente os treinamentos nos centros nacionais de Paris e Poitiers, mantendo contato direto com atletas e técnicos. “Quero passar muito tempo em quadra para orientar nossos jogadores e jogadoras, e também seus treinadores. É preciso trabalhar com nossos atletas, não com pressa, mas imediatamente”, ponderou.
O circuito feminino está entre suas prioridades. Simon acredita que a França tem condições de contar com cinco a sete representantes no top 100 e mencionou Fiona Ferro, Clara Burel, Diane Parry e Lois Boisson entre as jogadoras que podem ajudar o país a alcançar esse objetivo.
“Precisamos ter cinco, seis, sete jogadoras entre as 100 melhores. É possível”, afirmou. O ex-número 6 do mundo também admitiu a dificuldade de obter resultados a curto prazo. “Temos uma geração interessante, mas elas têm 12 anos. Não vão chegar ao circuito amanhã”, observou.
Simon terá a colaboração de Alizé Cornet, capitã francesa na Billie Jean King Cup, e de Richard Gasquet, que também participará do trabalho de formação e acompanhamento dos jogadores.
Nomeado em agosto, Simon assumiu o cargo anteriormente ocupado por Ivan Ljubicic, que passou a atuar como assessor especial do presidente da FFT, Gilles Moretton. O croata, ex-treinador de Roger Federer, também iniciou recentemente uma parceria com o canadense Félix Auger-Aliassime, sem deixar suas funções na federação.
Fora das quadras desde 2022, o francês conquistou 14 títulos de ATP e somou 504 vitórias em simples. Ele chegou às quartas de final do Aberto da Austrália em 2009 e de Wimbledon em 2015. Agora terá como principal missão cuidar da nova geração e recolocar o tênis francês em evidência.
