Nova York (EUA) – Ben Shelton acredita que chega à primeira final de Grand Slam da carreira como um jogador diferente daquele que começou a temporada. Depois de derrotar Frances Tiafoe por 4/6, 6/3, 6/3 e 7/5 nesta sexta-feira e garantir vaga na decisão do US Open, o norte-americano de 23 anos destacou a evolução em diferentes aspectos do seu jogo e afirmou que vive o momento de maior confiança da carreira.

“Eu me sinto um jogador diferente. Sinto que tenho muito mais ferramentas. Sinto que conheço minha identidade, estou confortável na minha própria pele e sei o que é preciso para jogar um tênis de alto nível”, afirmou Shelton, que enfrentará Alexander Zverev na final de domingo.

O alemão, número 2 do mundo, venceu os cinco confrontos anteriores entre os dois. Shelton, porém, acredita que a capacidade de encontrar soluções durante as partidas tem sido um dos principais diferenciais de sua campanha em Nova York. “Resolver problemas tem sido o nome do jogo aqui. Estou totalmente pronto para esse desafio”, disse.

Antes de derrotar Tiafoe, Shelton havia superado jogadores como Hubert Hukacz, Denis Shapovalov, Stefanos Tsitsipas e Carlos Alcaraz. Contra o grego e o espanhol, entrou em quadra com retrospecto negativo diante dos adversários. “Eu estava 0-1 contra o Stef, 0-3 contra o Carlos, e o Foe tinha me derrotado na última vez que jogamos nesta quadra. Tem sido uma grande batalha, então estou totalmente pronto para o desafio”, explicou.

Mais sólido e disciplinado

Shelton atribui parte importante do atual momento à evolução que teve fora das partidas. Para ele, a maturidade aparece na preparação, nos hábitos e na capacidade de manter a concentração. “É tudo. São as emoções, a maneira como treino, como treino, como entro nas partidas e o quanto consigo me manter focado. São os hábitos de sono, de alimentação, tudo.”

“Estou mais comprometido do que nunca com minha carreira no tênis, em ser a melhor versão possível de mim mesmo. Sempre fui um trabalhador extremamente dedicado, mas acho que foi nessas pequenas categorias complementares que fiz meus maiores avanços recentemente”, acrescentou.

Na avaliação do norte-americano, as mudanças também se refletem diretamente no desempenho em quadra. Ele apontou a devolução, a estabilidade nos ralis de fundo, a construção dos games de saque e a capacidade de permanecer concentrado por períodos mais longos como áreas em que evoluiu.

Shelton, no entanto, afirma que ainda vê espaço para evolução. “Não sei se tudo se cristalizou. Ainda sinto que há muitas aspectos em que tenho um longo caminho a percorrer. Mas fiz melhorias e mudanças importantes em algumas das áreas mais importantes para competir no topo”, frisou.

Confiança e tranquilidade: a chave para a final

Pela primeira vez na carreira, Shelton disputará uma final de Grand Slam. Apesar da dimensão da partida contra Zverev, ele acredita que conseguiu lidar bem com a pressão durante o torneio. “Fiquei honestamente surpreso com o quanto estava calmo hoje, especialmente no fim da partida. Calmo, confiante, focado. Acho que é disso que você precisa para estar nessas posições e vencer no mais alto nível”, contou.

O norte-americano também afirmou que as emoções não desaparecem em partidas desse tamanho, mas que aprendeu a lidar com elas. “Os nervos estão sempre presentes. É algo que você precisa aceitar. Para mim, os nervos estão tão presentes na primeira rodada quanto na semifinal, e tenho certeza de que a final será igual. É algo que você precisa superar.”

Shelton diz que, apesar de toda a história envolvida na decisão, pretende aproveitar a oportunidade. “Estou me divertindo. Vou jogar contra o cabeça de chave número 1, em uma final de Grand Slam, contra um campeão de Grand Slam, tentando conquistar meu primeiro título. Há muitos motivos para este ser um momento agradável para mim”, afirmou.