Mário Sérgio Cruz
De São Paulo, Especial para TenisBrasil
Semifinalista do SP Open, Anna Blinkova disputa seu primeiro torneio desde a recente troca de nacionalide, da Rússia para França. A jogadora de 28 anos e 94ª do ranking estava há mais de dois anos aguardando os trâmites administrativos do processo e comemorou a obtenção da nova cidadania apenas nesta semana, sentindo-se honrada por ter sido aceita no país.
“Tomei essa decisão há muito tempo e estava esperando por essa decisão pacientemente”, disse Blinkova a TenisBrasil, na coletiva de imprensa após a vitória desta sexta-feira contra a armênia Alina Charaeva por 6/4 e 7/5.
“Já vivo na França há muito tempo e todo o meu time é francês, meus amigos são franceses, falo francês o dia todo. Então eu me sinto honrada de ter conseguido”, acrescentou a vencedora de dois torneios da WTA e que busca a quarta final da carreira.
“Eu me apaixonei por esse país, fiz grandes amigos e fui melhorando a minha fluência e o conhecimento da cultura francesa e finalmente recebi a cidadania. Estou muito feliz por isso”, complementou a tenista, que já se torna a segunda melhor francesa do ranking, atrás de Diane Parry, número 30 do mundo.
Blinkova passou por processo parecido que o de uma antiga companheira de treinos, Varvara Gracheva, que trocou a Rússia pela França há pouco mais de três anos. Gracheva, de 26 anos e ex-top 40, aparece atualmente no 154º lugar do ranking, enquanto se recupera de lesão no joelho.
A semifinal na capital paulista é a primeira para Blinkova desde o final de 2025, quando ela venceu o WTA de Jiujiang, na China. E a vitória sobre Charaeva teve uma reação dramática no segundo set, depois de estar perdendo por 5/3. “É ótimo estar na semifinal, vencendo três partidas aqui em São Paulo. A partida foi muito difícil e não joguei meu melhor tênis hoje, foram muitos erros não-forçados. Não controlei tão bem a bola, mas acho que eu venci porque tive uma uma atitude positiva até o final do jogo”, relatou a francesa.
“Tentei falar a mim mesma o que fazer, como pegar mais cedo na bola e encurtar a preparação dos pontos. Às vezes funcionava e às vezes não, mas continuei acreditando até o final e tentei ser positiva comigo mesma e não me cobrar tanto”, explicou a tenista, que ainda não perdeu sets no torneio. “Em todas as partidas eu tive que lutar, espero vencer amanhã, mas agora quero apenas aproveitar essa vitória, que significa muito para mim, porque me exigiu muita energia física e mental”.
Visita de Sharapova ao complexo: “Uma inspiração”
A partida desta sexta-feira também foi especial por conta da visita de Maria Sharapova, ex-número 1 do mundo e dona de cinco títulos de Grand Slam, que está no Brasil para evento de patrocinadores do torneio e acompanhou o jogo na Quadra Central Maria Esther Bueno.
“Ela era um ídolo para mim quando estava crescendo! Eu assistia aos jogos dela pela televisão o tempo todo, era um exemplo para mim. Fico feliz por ter lidado bem com a pressão e o estresse e transformado isso em motivação. Ela era uma inspiração para mim”, comemorou a experiente jogadora.
Vitória sobre Rybakina em 2024: “A maior da carreira”
Blinkova também busca motivação por uma vitória diante da cazaque Elena Rybakina, no Australian Open de 2024, com direito a um longo tiebreak no terceiro set, com 31 minutos de duração e que terminou com 22-20 para a então 57ª do ranking sobre a terceira colocada. Com a chegada de Rybakina ao número 1 nesta semana, após o título no US Open, a vitória também serve de motivação para objetivos maiores.
Aquela foi a maior vitória da minha carreira até hoje! Vencer aquele tiebreak por 22-20 foi incrível, vai ficar comigo por toda a minha vida e fico muito orgulhosa por isso. A Elena já estava entre as melhores jogadoras do mundo naquela época e agora é a número 1. É um jogo que me dá esperança e mostra que tudo é possível, com muita motivação e entusiasmo para acordar e trabalhar todos os dias porque eu acredito que posso alcançar ainda mais.
Duelo com espanhola na semifinal
A adversária de Blinkova na semifinal será a espanhola Kaitlin Quevedo, de 20 anos e 105ª do ranking, que derrotou a sérvia Teodora Kostovic por 6/3 e 6/4. A francesa venceu o único duelo anterior, no saibro de Madri em 2025.
Não sabia que jogaria com ela porque nunca olho para a chave, tento pensar jogo a jogo. Mas já a conheço porque treinamos juntas, temos uma boa relação fora de quadra. Acho que será nossa segunda partida, lembro de já ter jogado contra ela em Madri. Mas agora eu tenho que focar na minha recuperação antes de pensar nas táticas para o jogo de amanhã. O mais importante é dar o meu melhor e lutar até o fim, como eu fiz hoje.
