Nova York (EUA) – Assim como já havia acontecido na final do Australian Open, em janeiro deste ano, a cazaque Elena Rybakina voltou a superar a bielorrussa Aryna Sabalenka em uma final de Grand Slam e conquistou neste sábado o título do US Open. O feito veio com um novo triunfo em três sets sobre a rival, parciais de 6/4, 5/7 e 6/2, em 2h21 de partida.
Aos 27 anos, Rybakina chega ao terceiro título de Grand Slam na carreira e ao 14º no geral. Além da conquista em Melbourne no início da temporada, ela também venceu Wimbledon em 2022. Seu retrospecto em finais de Slam agora é de três vitórias e apenas uma derrota, que aconteceu justamente para Sabalenka em Melbourne, em 2023.
Quinta mulher nos últimos 20 anos a alcançar as finais do Australian Open e do US Open na mesma temporada, ao lado de Justine Henin (2006), Vicotia Azarenka (2012 e 2013), Angelique Kerber (2016) e Aryna Sabalenka (2023, 2024, 2025 e 2026), Rybakina se junta a Kerber e Sabalenka (2024) como as únicas três a vencerem ambos os torneios no mesmo ano.
A cazaque é também a primeira jogadora desde Henin em 2007 a derrotar em sequência duas ex-campeãs na semi e final do US Open, ao bater Coco Gauff e Sabalenka. Há 19 anos, a belga bateu Venus Williams e Svetlana Kuznetsova, respectivamente.
Nova número 1 tem retrospecto positivo contra as líderes
A partir de segunda-feira, Elena Rybakina dará início a um novo reinado na WTA, assumindo pela primeira vez o posto de número 1 do mundo. Curiosamente, ela é apenas uma das três tenistas desde a criação do ranking feminino, em 1975, que tem aproveitamento de vitórias contra a líder vigente superior a 50%.
O triunfo sobre Sabalenka, que começou o US Open na liderança, deixa Rybakina com uma média de 55,5%, abaixo apenas do aproveitamento de Serena Williams (58,6%) e Steffi Graf (57,8%). Para completar, Elena se torna apenas a segunda mulher a derrotar uma número 1 do mundo em duas finais de Grand Slam no mesmo ano, repetindo o feito de Graf em 1995.
Além de assumir a liderança no ranking, Rybakina dispara na corrida da temporada e é a única tenista já matematicamente classificada para o WTA Finals, que neste ano será disputado em Indian Wells. De quebra, a campeã recebe um prêmio de US$ 5,5 milhões.
Sabalenka perde a chance de igualar Evert e Serena
Campeã do US Open em 2024 e 2025, Aryna Sabalenka tinha a oportunidade de se tornar apenas a terceira mulher em toda a Era Aberta a vencer três edições consecutivas do torneio. Até hoje, apenas as norte-americanas Chris Evert (1975, 1976, 1977 e 1978) e Serena Williams (2012, 2013 e 2014) conseguiram o feito, sendo que Evert faturou um tetracampeonato em sequência.
Mesmo com a derrota, a bielorrussa ao menos sai de Nova York como a única tenista, entre homens e mulheres, a disputar oito finais consecutivas de Grand Slam sobre quadra dura, chegando até aqui em todas as decisões na Austrália e Estados Unidos por quatro temporadas seguidas, de 2023 a 2026.
A partir de segunda-feira, Sabalenka aparecerá pela primeira vez após 99 semanas consecutivas fora do topo do ranking, caindo para a segunda posição. Dona da sexta maior sequência como número 1 da WTA, ela tem um total somado de 107 semanas na liderança, ocupando o décimo lugar na lista histórica. O prêmio pelo vice-campeonato é de US$ 2,8 milhões.
Rybakina vence duelo de gigantes
Naquela que foi apenas a terceira final de US Open entre as números 1 e 2 do mundo desde o ano 2000, Rybakina começou melhor e já nos primeiros games conseguiu colocar Sabalenka sob pressão. A bielorrussa precisou salvar três break-points no terceiro game e, no quinto, uma dupla falta abriu o caminho para a primeira quebra da partida. A cazaque, apesar dos baixíssimos 27% de acerto do primeiro serviço, sustentou o ritmo e ainda teve nova chance de quebrar no sétimo game, mas não aproveitou. Mesmo assim, administrou a vantagem e fechou a parcial em 6/4.
Sabalenka voltou mais agressiva no segundo set e passou a responder melhor aos golpes pesados da adversária, mas Rybakina continuava firme do outro lado. No terceiro game, a cazaque teve duas oportunidades de quebra, salvas pela bielorrussa. O jogo ficou ainda mais tenso na reta final, quando Rybakina sacou em 4/5 e precisou salvar dois set-points — os primeiros break-points que enfrentou na partida — para evitar que Sabalenka igualasse o placar.
A pressão, porém, finalmente funcionou no 12º game. Sabalenka conseguiu mais dois break-points e, desta vez, aproveitou a oportunidade para quebrar o saque de Rybakina e fechar o set em 7/5. A decisão ficou para a terceira parcial, depois de um segundo set marcado pelo equilíbrio.
Rybakina não deixou a reação da adversária abalar seu jogo. Logo no terceiro game, conseguiu dois break-points e, depois de Sabalenka salvar o primeiro, encontrou profundidade e peso nos golpes para arrancar a quebra. A cazaque abriu 2/1 e passou a jogar com vantagem no placar, enquanto a bielorrussa tentava novamente encontrar respostas para o ritmo imposto pela nova número 1 do mundo.
A partir daí, Rybakina sustentou a pressão nos games de saque, protegeu a vantagem e não permitiu que Sabalenka voltasse ao jogo. Com mais uma quebra no fim da parcial, a cazaque chegou a 5/2 e com tranquilidade fechou a decisão em três sets, repetindo sobre a bielorrussa o resultado da final do Aberto da Austrália e conquistando pela primeira vez o US Open. Do outro lado, Sabalenka quebrou a raquete logo após a derrota, descontando sua frustração.
