Nova York (EUA) – A Associação dos Tenistas Profissionais (PTPA) emitiu um alerta sobre o aumento de lesões no circuito e voltou a criticar o calendário cada vez mais apertado. A entidade independente da ATP e da WTA apresentou números preocupantes e cobrou mudanças na estrutura da temporada.

O comunicado foi publicado após uma sequência de baixas no Masters 1000 de Montréal e no WTA 1000 de Toronto, além das desistências em Cincinnati. Entre as principais baixas estão os atuais líderes do ranking, Jannik Sinner e Carlos Alcaraz.

Segundo levantamento da PTPA, as lesões na parte superior do corpo cresceram 42% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. Já os problemas especificamente nos braços tiveram aumento de 112% em relação à média registrada durante a temporada de 2025.

We are saddened to see so many withdrawals from the @nbotoronto. Unfortunately, we are not surprised.

Three years ago, the PTPA, in collaboration with its Medical Director Dr. Robby Sikka, launched a comprehensive project to collect and analyze injury data across professional… pic.twitter.com/3b4gx2LMbH

— Professional Tennis Players Association (@ptpaplayers) August 10, 2026

“Os dados são claros: a temporada é longa demais, o tempo de recuperação está diminuindo e as lesões estão acontecendo mais cedo e se tornando mais graves”, afirmou a associação em publicação nas redes sociais.

Os números fazem parte de um projeto iniciado há três anos em colaboração com o diretor médico da PTPA, Robby Sikka. Desde então, foram coletados e analisados dados sobre lesões em mais de 30 mil partidas profissionais, disputadas nos diferentes níveis do tênis ao longo das últimas oito temporadas.

Fundada em 2020 por Novak Djokovic e Vasek Pospisil, a PTPA atua de maneira independente da ATP e da WTA e busca representar os interesses dos tenistas dos circuitos masculino e feminino. Djokovic, porém, deixou a associação em janeiro deste ano, alegando divergências sobre transparência e governança.

A PTPA também criticou a expansão dos Masters 1000. Sete dos nove torneios da categoria no circuito masculino são disputados atualmente ao longo de 12 dias. Para a entidade, o formato reduz o tempo disponível para descanso, treinamento e deslocamento dos jogadores entre uma competição e outra.

“Interesses comerciais de curto prazo não podem vir às custas da saúde dos jogadores. Proteger os atletas não diz respeito apenas aos competidores de hoje, mas também a proteger o futuro do tênis”, acrescentou a entidade.

A associação defende uma revisão do calendário baseada em dados sobre a saúde dos jogadores, redução das obrigações de participação e maior influência dos atletas nas decisões. A PTPA também pediu que a ATP considere reverter o formato de 12 dias dos Masters 1000.