Luísa Stefani e a canadense Gabriela Dabrowski vivem um grande momento. Tal qual os gaúchos Rafael Matos e Orlando Luz fizeram em agosto, elas venceram dois torneios 1000 consecutivos e deram um grande salto em solo chinês, tornando-se agora a parceria com mais pontos acumulados desde janeiro.

E olha que faltaram títulos de Grand Slam. As duas fizeram final em Wimbledon e semi em todos os outros três, mostrando a versatilidade e a regularidade tão importantes para quem deseja pontuar o ranking. Isso se registra também nos seis troféus já erguidos em 2026, um no saibro, outra na grama e quatro no piso sintético.

Stefani e Dabrowski estão agora 295 pontos à frente de Katerina Siniakova e Taylor Townsend na classificação da temporada e têm uma real chance de terminar o calendário na liderança, já que ainda disputam Tóquio e depois o Finals, enquanto a parceria entre a tcheca e a norte-americana estará apenas em Indian Wells, devido à cirurgia de apendicite que Taylor se submeteu em setembro.

A paulistana de 29 anos atinge assim o primeiro número 1 de sua carreira. No ranking individual de duplas, no entanto, a tarefa está mais difícil. Stefani tem chance pequena de virar número 2, uma vez que defende o título de Tóquio e o vice do Finals, podendo na melhor das hipóteses somar 230 pontos. Como está 195 atrás de Townsend, bastaria uma vitória na fase de grupos do Finals para a canhota norte-americana fazer 200 e se assegurar no posto.

Número 1 por enquanto é um sonho ainda mais distante, já que Siniakova tem a repetir bem menos do que a brasileira (785 contra 1.270) nestas semanas restantes da temporada e sua grande vantagem atual é 2.040 pontos. Nada a contestar. Afinal, Siniakova ganhou com Townsend dois Slam neste ano, a meta que Stefani segue na perseguição.

E agora, João?

Assim como não me surpreendeu a desistência de João Fonseca de viajar para a fase asiática, seu anúncio de abandono definitivo da temporada passou longe de um susto. Estava claro nos bastidores que sua recuperação segue aquém do esperado e os sinais vieram até pelas mídias sociais. Enquanto João se dedicava ao golfe nas últimas semanas, o técnico Guilherme Teixeira dava clínicas.

Claro que o fato não deixa de ser preocupante, ainda que todos soubéssemos que lesões no abdômen custem tempo maior de afastamento. Ainda que tenha vencido com razoável qualidade o jogo da Copa Davis diante da Suíça, há mais de um mês, o esforço e as lágrimas de então deixaram claro o tamanho do sacrifício.

Se isso prejudicou o quadro físico ainda é difícil de cravar. Consultados, quem esteve diretamente envolvido no evento não conseguiu me dar uma resposta definitiva. A explicação é natural: o Brasil dependia demais de ao menos uma vitória de Fonseca para fazer frente ao adversário. E liquidar com 3 a 0 se tornou um alívio, porque decidir recolocar João em quadra para enfrentar, quem sabe, Stan Wawrinka seria uma dor de cabeça tremenda.

Quando saíram as listas dos torneios da próxima semana sem Fonseca em qualquer dos 250, ficou claro que ele não iria à Basileia. Como retornar ao circuito sem ritmo de jogo e logo para defender um título tão difícil? Por isso mesmo, encerrar a temporada foi decisão lógica, ainda que custe a queda para fora do top 40, colocando em risco a condição de cabeça no Australian Open.

Resta agora saber se Fonseca vai manter o acordo já firmado para disputar a exibição contra Carlos Alcaraz no dia 12 de dezembro, no estádio do Palmeiras. Se ele antecipar a pré-temporada, o jogo servirá até como um bom treinamento, ainda que seja um amistoso com todo aquele tom de exibição.

O fim de semana

– De challenger em challenger, Thiago Wild recupera o bom tênis e vira o número 2 do Brasil no ranking. Ganhou o quarto título da categoria neste domingo – dois foram na Europa, um na Bolívia e outro em Piracicaba. O paranaense começou o ano no 216º lugar, chegou a cair para 299º em junho e deve aparecer nesta segunda-feira no 111º posto. A última vez que ele figurou no top 100 foi em março do ano passado.

– Wild e Gustavo Heide, agora 114º, só voltam à quadra no challenger 125 da Costa do Sauípe, que começa dia 2 de novembro. O prazo para entrarem na faixa dos 100 primeiros e assim garantirem a vaga direta no Australian Open é 7 de dezembro. Nesse período, haverá ainda quatro challengers de nível 75.

– Alejandro Davidovich Fokina causa duas boas surpresas. A primeira é superar o trauma dos vices já com o terceiro título e, mais valioso ainda, seu primeiro 1000. A outra foi superar a fase de lesões, principalmente a das costas, que o afastou dois meses do circuito no verão norte-americano e o tirou do US Open.

– A final contra o embalado Rafael Jódar foi interessante. Dominado totalmente no primeiro set e com uma quebra atrás na segunda série, soube mudar o rumo com apostas nas paralelas e no saque sobre o corpo. Jódar, que podia entrar no top 10 com o título, sofreu fisicamente no terceiro set, mas admitiu que o compatriota se saiu melhor nos pontos decisivos.

– Sensacional campanha da canhota Maja Chwalinska em Wuhan, incluindo vitória sobre Iga Swiatek e virada na final contra a surpresa britânica Sonay Kartal. “Passei momentos difíceis após o vice em Roland Garros, algumas pessoas foram muito duras comigo”, disparou na entrevista. Maja sobe para 11º e vai lutar pelo top 10 na próxima temporada.

– Luz e Matos caíram para oitavo lugar na Corrida para Turim, mas seguem com boa chance de se classificar. Estão 130 pontos à frente dos nonos colocados e 110 atrás dos sétimos. Cada torneio conta agora. Os gaúchos jogam o 250 de Bruxelas nesta semana.