São Paulo (SP) – Luísa Stefani, um dos maiores nomes do país no circuito mundial de duplas, com 16 títulos de WTA no currículo, festeja neste domingo o seu 29º aniversário, afastada das competições. A paulista está fora do WTA 1000 de Toronto para dar continuidade ao tratamento no cotovelo direito. Ela já vinha jogando com uma proteção e preferiu focar na recuperação, esperando estar pronta para a disputa do WTA 1000 de Cincinnati, nos Estados Unidos, a partir do próximo dia 13.

O US Open é o principal foco da parceria com a canadense Gabriela Dabrowski. Elas não competem desde o vice-campeonato em Wimbledon, em que foram superadas pela chinesa Hanyu Guo e a francesa Kristina Mladenovic por 6/3 e 7/5, fechando a temporada de grama com saldo positivo, tendo alcançado as quartas em Queen’s e o título em Eastbourne.

Dupla número 2 na corrida da temporada, elas ainda conquistaram outros dois títulos no ano, em Estrasburgo e Dubai, além das semifinais no Australian Open, Doha, Miami e Roland Garros.

“A gente vem tendo um ótimo ano. Nosso lema é tentar jogar melhor e construir mais oportunidades para disputar jogos grandes assim, em quadras grandes, e estar mais preparada e mais leve nas próximas”, disse a brasileira após a final em Wimbledon.

“Foi uma temporada de grama incrível para nós, nossa primeira juntas. Foi muito divertido jogar com a Gaby na grama. Temos um estilo bem divertido para jogar nesse piso.” Nesta semana, Stefani aproveitou para publicar no Instagram alguns dos bons momentos vividos durante Wimbledon.

A quarta melhor duplista do mundo na atualidade nasceu em São Paulo e disputou o circuito universitário americano de 2015 a 2018. No primeiro ano como profissional, em 2019, trocou as competições de simples pelas duplas, onde se saiu bem logo em seu primeiro WTA, em Monterrey, México. Convidada pela local Giuliana Olmos, a parceria foi semifinalista e a brasileira disparou no ranking. Nascia ali uma carreira brilhante, recheada de conquistas históricas.

Sua trajetória inclui feitos memoráveis, como a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020. Stefani estava garantida nas duplas mistas, ao lado de Marcelo Melo, e na última hora entrou na chave feminina, junto com Laura Pigossi. Na dupla mista, os brasileiros caíram na estreia diante da forte dupla sérvia de Novak Djokovic e Nina Stojanovic.

Mas Luísa e Laura empolgaram o país ao chegarem à semifinal, em que foram pelas suíças Belinda Bencic e Viktorija Golubic. Na luta pelo terceiro lugar, Stefani e Pigossi venceram as russas Elena Vesnina e Veronika Kudermetova em uma virada histórica, salvando quatro match points, e garantindo o inédito bronze para o tênis brasileiro.

O título de dupla mista no Australian Open de 2023 é outro marco na carreira, conquistado ao lado de Rafael Matos, a primeira vez em que uma dupla brasileira levou o título. Ainda nesse ano, emocionada, foi porta-bandeira do Brasil na abertura do Pan de Santiago, junto com nadador Fernando Scheffer. “Desde pequena, sou a maior fã de esporte e poder carregar essa nossa bandeira ao lado de tantos atletas que cresci me inspirando é uma grande honra”, disse na ocasião. Luísa conquistou o ouro na dupla feminina, com Pigossi, e prata na dupla mista, em parceria com Marcelo Demoliner. Stefani já havia ganhado o bronze no Pan de 2019 (ao lado de Carol Meligeni), em Lima.

Em 2021, em Miami, ao lado da Hailey Carter, Stefani chegou à primeira final de um WTA 1000 em Miami, mas teve de desistir de Roland Garros devido a uma apendicite e com a contusão da americana em Wimbledon, onde não passaram da estreia, Stefani anunciou, então, o nome da nova parceira, a canadense Gabriela Dabrowsnki, dupla que viria a ser bastante produtiva.

No mesmo ano, mais um marco na carreira de Luísa, seguido por uma tristeza: pela primeira vez, as parceiras alcançaram as semifinais de um Grand Slam, no US Open. Mas no tiebreak do 1º set, Stefani acabou torcendo a perna e deixou a quadra em cadeira de rodas. O exame revelou rompimento do ligamento do joelho, fazendo-a encerrar a temporada, retornando aos treinos somente em março de 2022 e ao circuito no segundo semestre do ano.

Outra parceira de destaque foi a húngara Timea Babos, com a qual trabalhou no ano passado, faturando os torneios de Tóquio, São Paulo, Estrasburgo e Linz, além do vice em Ningbo e no WTA Finals em Riad. Mas por problemas pessoais, Babos não renovou a parceria por desejar uma temporada mais curta para ficar mais com a família.

A húngara foi carinhosa com Stefani, com a equipe e os torcedores brasileiros. “Obrigada por todas as emoções, conversas, bons momentos, momentos difíceis, risadas e lágrimas que compartilhamos juntas. Por todas as lições que você me ensinou e principalmente obrigada por me aceitar. Estou grata por poder te chamar de amiga. Obrigada mais uma vez à sua família, equipe e ao Gui (Guilherme Pachane, treinador e namorado da brasileira) por todo o carinho que recebi. Também tenho que mencionar a torcida brasileira: Vocês são outro nível! Este pode ser o fim da nossa parceria no tênis, mas é apenas o começo de algo maior!”