Madri (Espanha) – Quase dois anos após encerrar a carreira, Rafael Nadal admite que sua passagem pelo circuito já parece distante. Em entrevista ao The Athletic, o espanhol falou sobre a aposentadoria, a rotina com a família e suas atividades fora das quadras.
“Eu me aposentei há apenas dois anos, mas já parece outra vida aquela em que jogava tênis. Quase me esqueço de que fui tenista. A vida segue em frente. Todos aqueles momentos felizes, os momentos difíceis, a adrenalina…”, refletiu o canhoto de Mallorca.
Dono de 22 títulos de Grand Slam, Nadal exalta a trajetória vitoriosa. “Sinto que tive muita sorte por tudo o que pude viver graças ao tênis. Sempre tive um grande apoio da minha família e da minha equipe. Ao rever todas essas fotografias, você se lembra dos momentos que viveu e das pessoas que estiveram ao seu lado”, disse, referindo-se ao livro fotográfico “Rafa Nadal”, da editora Assouline.
O multicampeão também destacou que sua vida pessoal não mudou tanto após deixar as quadras. “Continuo com os mesmos amigos desde pequeno e nunca me afastei do lugar onde nasci, Mallorca. Vivi muitas coisas emocionalmente e no esporte, mas minha vida pessoal nunca mudou tanto assim”, destacou.
A aposentadoria, porém, não trouxe a tranquilidade que imaginava. “Estou trabalhando em outros projetos e exercendo meu papel de pai. Também cuido da academia, da fundação e de todas essas coisas. Trabalho muito mais e viajo muito mais do que imaginava quando me aposentei, e digo isso no bom sentido”, contou o ex-profissional de 40 anos.
Além de acompanhar as atividades de sua academia em Manacor, Nadal dedica parte do tempo à família, aos negócios e ao golfe. O ex-número 1 do mundo costuma participar de torneios amadores da modalidade em Mallorca.
No início de outubro, Nadal voltou a jogar diante do público nas comemorações dos dez anos de sua academia. O espanhol liderou uma equipe que venceu por 4 a 3 o time comandado pelo britânico Andy Murray, em partidas de exibição com antigos rivais e companheiros. Foi sua primeira apresentação pública desde a despedida do circuito, em novembro de 2024, durante a Copa Davis, em Málaga.
Apesar do reencontro com o esporte, o multicampeão garantiu não sentir tanta falta das competições. “Eu adorava jogar tênis, mas não sinto tanta saudade porque decidi parar no momento certo. Já não tinha mais nada para dar”, afirmou.
A carreira marcada por dores
Nadal também recordou o sofrimento físico que enfrentou ao longo dos anos. “A única coisa positiva que tirei de todas as lesões foi que pude aproveitar e valorizar ainda mais os grandes momentos. Mas vivi toda a minha carreira no tênis com dor. No dia a dia, sofria demais”, confidenciou.
O espanhol sabia que as lesões poderiam antecipar sua despedida. “Sempre tive presente que poderia estar vivendo meu último ano. Não diria que tinha medo, mas sabia que essa possibilidade existia”, explicou o ex-líder da ATP.
“Meu corpo estava acabado, para ser sincero. Jogava com limitações demais, então isso me permitiu encerrar a carreira em paz. Há muitas coisas mais importantes do que o tênis ou o esporte. Mas a adrenalina e aquela sensação especial que o esporte proporciona são difíceis de encontrar fora dele”, assegurou.
Durante a produção do documentário “Rafa”, Nadal descobriu uma possível relação entre a síndrome de Müller-Weiss, que afetou seu pé esquerdo, e os impactos repetitivos da prática de tênis e futebol desde a infância. O espanhol conquistou 92 títulos de simples na carreira, incluindo 14 em Roland Garros. Além disso, foi campeão olímpico em simples em Pequim-2008 e nas duplas nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016.
