Felipe Priante
Da Costa do Sauípe, Especial para TenisBrasil
Cada vez mais jogadores conseguem sucesso no tênis profissional depois de passar pelo universitário norte-americano. Entre os jogadores que estiveram em quadra nesta semana no Costa do Sauípe Open, três brasileiros sabem muito bem como é isso. O terceiro e último capítulo da série foca em Luis Felipe Miguel, irmão mais velho de Guto Miguel, que atualmente cursa economia na Florida State University.
Mesmo em seu período letivo, o goiano de 22 anos aproveitou as oportunidades que a universidade dá para competir eventualmente mesmo durante as aulas para disputar o quali e a chave de duplas no Sauípe. “Hoje em dia, que mudaram as regras, eles se liberam muito de você jogar o profissional”, contou Lipe.
“Esse período de agosto a dezembro, você tem campeonatos individuais que não precisa jogar pela faculdade necessariamente, pedem para você jogar um ou dois torneios lá para se classificar para a temporada de janeiro a maio”, acrescentou o goiano, convidado da organização para a chave de duplas ao lado do irmão e para a fase classificatória de simples no Costa do Sauípe Open
Ele conseguiu somar vitórias na semana, furou o quali e caiu na estreia na chave principal. Já na dupla, passou da primeira rodada e caiu nas quartas de final. Isso lhe renderá uma arrancada de 85 lugares em simples, indo para o 936º posto, e de 75 colocações nas duplas, indo para 419º.
Universitário foi caminho natural
Se muitos jogadores pensam bastante entre seguir para o universitário ou já partir para o circuito profissional, Lipe teve um processo de decisão quase natural. “Lembro que pesquisei um pouco e tinham vários saindo do ‘college’ e indo pro circuito profissional depois de se formar ou indo no meio da faculdade. Então com certeza isso influenciou muito”.
Lipe explicou que todo o processo foi otimizado porque teve uma agência dando suporte. “Acho que foi muito fácil e surgiram várias oportunidades. Geralmente você grava um vídeo ou um ‘coach’ te vê jogar. Para mim foi muito fácil, não tive nem que pensar duas vezes. Sei que uma oportunidade dessa eu tinha que se agarrar, ainda mais porque eu já vi muitas histórias de vários amigos que tiveram essa chance, não foram e depois se arrependeram”.
Conciliando os estudos, o circuito universitário e o profissional, ele acredita que duas são as principais diferenças entre os dois. Para o goiano, o tênis universitário norte-americano tem mais pressão externa, com arquibancadas barulhentas e muita torcida. “Principalmente quando você joga fora, no território inimigo, tem a galera lá falando na sua orelha”. Já nos torneios profissionais o grande desafio é o nível mais alto dos adversários.
Guto é inspiração para seguir no tênis
Assim como contou Lucas Andrade, dizendo que o universitário norte-americano abre muitas portas que podem seduzir os tenistas a não seguir para o profissional, Luis Felipe também falou o mesmo. “Ao longo da jornada, você conhece muita gente, tem muito networking. Acho que depende de cada um”, observou.
“A maioria já tem muitas oportunidades e fica muito a dúvida de arriscar jogando o circuito profissional e perder a oportunidade que tem lá. Ainda mais nos Estados Unidos, que é muito tentador, onde a qualidade de vida é outra. Então acho que isso acaba acontecendo com muitos atletas”, ponderou o goiano.
Ele próprio chegou a pensar no assunto, mas o irmão mais novo serviu de inspiração para seguir o caminho do profissionalismo após a formatura. “Acho que ele me manteve nesse caminho depois que começou a crescer um pouco, porque eu tive aquela tentação de: ‘Ah, será que eu paro e aproveito as oportunidade?’ Mas aí eu vi o meu irmão se dando super bem, e isso me incentivou também a continuar no tênis”, revelou Lipe.
“Nossa relação é muito forte, então cada um se ajuda. A gente é muito competitivo também, então quando a gente treina junto, quer dar o melhor, quer ganhar. Acho que isso acaba ajudando um pouco. Ele é um cara que é fora de série, um moleque que joga mais do que eu. Queria jogar tanto quanto ele”, comentou o irmão mais velho.
