São Paulo (SP) – Finalista da edição passada do SP Open, Ingrid Martins avalia o momento da temporada e fala da busca por uma parceira fixa no circuito de duplas da WTA. A carioca estreia nesta quarta-feira, ao lado da argentina Jazmin Ortenzi contra as mexicanas Victoria Rodriguez e Maria Navarro, no jogo que irá encerrar a programação da Quadra Maria Esther Bueno.
As expectativas são as melhores, tento não focar no resultado, mas sim na minha performance dentro de quadra para fazer o que a gente faz de melhor no jogo e aproveitar essa semana que é muito especial”, disse Ingrid. “É raro estar jogando em casa ao lado da família e dos amigos. É um momento para desfrutar toda essa experiência e buscar meu melhor jogo e melhor tênis nessa semana”.
Em entrevista a TenisBrasil, Ingrid classifica a temporada atual como “desafiadora”, especialmente por uma lesão na panturrilha que sofreu no Australian Open, onde jogou ao lado de Alexandra Eala. Na sequência, precisou novamente mudar de planos, devido aos conflitos no Oriente Médio.
“Minha temporada começou com um imprevisto na Austrália, tive uma lesão na panturrilha e precisei manejar o calendário. Depois fui para a Turquia e tive que sair de lá. Esfriou um pouco o ritmo”, relatou a jogadora de 30 anos, que ocupa atualmente apenas a 150ª colocação no ranking.
Fizemos bons jogos em Roland Garros [com a argentina Solana Sierra]. E em Wimbledon fica aquele gosto amargo, porque eu entrei, mas não joguei [com a ucraniana Daria Snigur, que priorizou o torneio de simples]. Nunca tinha acontecido isso antes. E no US Open, fiquei a duas desistências. Está sendo um ano desafiador de questões que a gente não pode controlar, mas desde o Australian Open estou sem lesões e procurando parcerias que eu possa manter por longo prazo”.
Ingrid também falou sobre as dificuldades para fixar uma parceria no circuito, comparando as oscilações do ranking com as de uma bola de valores: “Eu jogo com russa, com ucraniana, com argentina, com brasileira… São muitas culturas e visões diferentes. A comunicação é diferente. Dependendo de como você fala, cada uma pode levar de outra forma”.
Além disso, são muitos objetivos entre aquelas que só jogam duplas e as que também estão em simples. É difícil organizar os calendários para fazer a mesma gira de torneios. Tive problema na temporada de grama, porque ela não tinha visto para a Ingleterra. Tive que mudar de parceria de última hora”, acrescentou.
Finalista da edição passada do SP Open, Ingrid Martins avalia o momento da temporada e fala da busca por uma parceira fixa no circuito de duplas da WTA. Ela estreia nesta quarta-feira, ao lado da argentina Jazmin Ortenzi contra as mexicanas Victoria Rodriguez e Maria Navarro. pic.twitter.com/bky8kVfCkl
— TenisBrasil (@sitetenisbrasil) September 16, 2026
“O ranking é como a bolsa de valores. Se você cai um pouco, já não te valorizam tanto. Mas faz parte. E como eu já fui top 50, qualquer menina que esteja bem sabe que pode me chamar que eu estou pronta, que é o que aconteceu na Filadélfia, que a Eri Hozumi me chamou e a gente jogou junto. Tenho que estar preparada a cada momento para quando a oportunidade surgir e focar em evoluir o meu jogo. O circuito é pequeno e todo mundo está vendo”.
Vencedora de dois torneios da WTA e atual 47ª do mundo, a carioca fala sobre o que precisa melhorar. “Eu confio no meu saque. O principal a mudar é a devolução, troquei de lado agora. Estou jogando mais do lado direito. Eu jogava mais do lado esquerdo. E também ficar mais ágil na rede para ser mais ativa, mais duplista e confiar nas minhas armas, ser mais ativa e ir para cima”.
A oportunidade de jogar em casa é também uma celebração do momento do tênis feminino no Brasil. “Ano passado, aqui mesmo no SP Open, o torneio foi incrível com toda a minha família assistindo. Lembro que eu chegava em casa muito feliz, com muita satisfação de estar vivendo esse torneio no Brasil e poder ver muitas pessoas e crianças que nunca puderam ver de perto. A gente perdeu a final [ao lado de Laura Pigossi], mas foi muito mais do que o resultado. Estava muito feliz de estar ali, disputando essa final contra a Luísa [Stefani] que também fez muito pelo esporte no nosso país. É uma semana que nunca vou me esquecer na minha vida”.
