Toronto (Canadá) – Campeã do WTA 1000 de Toronto nesta quinta-feira, Iga Swiatek não escondeu a sensação de alívio após conquistar seu primeiro título na temporada. A ex-número 1 do mundo passou por uma troca de treinador, com a saída de Wim Fissete e a chegada do espanhol Francisco Roig, e revelou ter sofrido com muitas críticas e cobranças no período em que não conseguia bons resultados.

“Os últimos meses não foram fáceis, mas mantive o foco em evoluir e mudar o meu jogo, apesar das opiniões que muitos têm sobre mim na internet. Não é fácil lidar com tudo isso”, disse Swiatek na cerimônia de premiação, após a vitória por 6/2 e 6/3 sobre a cazaque Elena Rybakina nesta quinta-feira.

“Tenho pessoas que me conhecem e me apoiam a cada dia e a cada semana, trabalhando o melhor possível. Quero dedicar esse título a todos aqueles que estão lidando com julgamentos e mensagens de ódio. Apenas continuem tentando e buscando o que é melhor para vocês. Sempre se lembre que é possível”, acrescentou a polonesa, que conquistou seu 26º título da carreira e o 12º WTA 1000.

Durante a coletiva de imprensa, Iga deu um pouco mais de detalhes sobre como tem lidado mentalmente com uma temporada tão difícil. “Há muitas coisas com as quais os atletas, e não apenas eles, precisam lidar. Às vezes temos que lutar contra coisas que não deveríamos. Por isso estou ainda mais orgulhosa de ter seguido o meu caminho e não ter deixado isso me definir. Preciso apenas me concentrar nas coisas certas e fazer o meu trabalho. Os dias melhores vão chegar”, afirmou.

Questionada sobre a raiva que mencionou durante a cerimônia, Swiatek explicou que o sentimento veio principalmente das críticas que recebeu, mas acrescenta que conseguiu deixar esse “barulho” de lado durante o torneio. “O melhor destas duas semanas foi conseguir deixar isso para trás. Essa raiva apareceu depois que eu ganhei, mas durante todo o processo estive focada em crescer e evoluir. Trabalhei duro durante todo esse barulho desnecessário, e é isso que me deixa com raiva, porque não deveria ser assim”, disse.

Sem sofrer quebras na final contra Rybakina nesta quinta e vinda de uma partida em que mostrou um ótimo jogo de rede contra Elina Svitolina no terceiro set da semifinal, a polonesa destacou que conseguiu melhorar diferentes aspectos de seu jogo durante a campanha em Toronto. “Nesta semana, meu tênis encaixou, assim como a parte física e o trabalho mental. Foi, com certeza, a melhor semana da temporada até agora”, avaliou.

“Acho que estou errando menos e consegui ser dominante, hoje nem tanto, porque eu fiquei na defensiva em muitos momentos. Mas sinto que tudo se encaixou pela primeira vez no ano. Na maioria dos torneios eu conseguia jogar bem por alguns dias, mas não era consistente para vencer os títulos. Desta vez eu consegui”, complementou. “Em alguns momentos da temporada, fui impaciente e busquei o resultado quando meu jogo ainda não estava pronto. Fico feliz por ter permanecido focada em trabalhar e evoluir, porque isso foi o mais importante nesta temporada”.

De volta ao top 5 do ranking mundial, Swiatek também retoma a liderança no histórico de confrontos contra Rybakina, agora com sete vitórias e seis derrotas. Ela havia perdido as duas últimas para a cazaque. “Ela é uma adversária muito dura. E quando jogar o seu melhor tênis, provavelmente é melhor do que todas as outras, sabe? Então, você precisa aproveitar todas as oportunidades. Não pode se dar ao luxo de cometer erros ou tomar decisões ruins”.

“Eu estava muito concentrada e em sintonia com o jogo hoje. Queria tornar a partida uma batalha física e, claro, usar meu topspin, lembrando que tenho um jogo que posso controlar com o efeito e a trajetória da bola. Nessas condições, isso também me deu confiança. Mas qualquer jogo contra ela é difícil, especialmente sabendo como ela saca e como consegue ganhar tantos pontos de graça. Você precisa manter a paciência e não deixar que isso te irrite”, explicou a jogadora de 25 anos.

Swiatek também apontou a torcida como um fator importante na campanha, especialmente pela presença da comunidade polonesa em Toronto. “Eles foram incríveis. Às vezes era um pouco louco, mas, além disso, foram muito apoiadores. Ouvi muitas coisas boas deles. No começo do torneio me disseram que havia uma grande comunidade polonesa aqui, mas eu não sabia que era tão grande. Provavelmente metade do estádio era polonesa. Isso me deu uma energia extra e senti isso nos jogos”, contou.