Nova York (EUA) – O jovem Sebastian Gorzny vive uma semana especial no US Open, mas já passou por momentos bem mais complicados fora das quadras. Aos 22 anos e apenas o 731º do ranking, o norte-americano permaneceu vários dias em coma após sofrer uma grave encefalite e chegou a ter apenas 5% de chance de sobreviver.
Convidado pela organização após vencer um playoff entre destaques do tênis universitário, Gorzny aproveitou a oportunidade e conseguiu a maior vitória da carreira logo na estreia. Ele salvou cinco match-points diante do belga Raphael Collignon, 38º do ranking, e venceu em cinco sets.
Nesta quarta-feira, terá pela frente Daniil Medvedev na segunda rodada. Campeão do US Open em 2021, o russo prevaleceu em sets diretos na primeira rodada sobre o quali francês Hugo Gaston e enfrentará pela primeira vez o adversário, que dá seus primeiros passos no circuito profissional.
Antes desta semana, o melhor resultado de Gorzny na temporada eram as quartas de final do Challenger de Lexington. A trajetória do jovem norte-americano poderia ter sido bem diferente. Ainda no juvenil, durante a disputa do tradicional torneio de Kalamazoo, ele sofreu uma encefalite provocada pela picada de um mosquito e entrou em coma.
“Depois da minha primeira partida, comecei a me sentir muito mal. Na segunda rodada, perdia por 5/0 e percebi que não conseguia jogar, que precisava sair. Acabei tendo convulsões às 2h da manhã. Meu pai acordou, chamou uma ambulância e fomos para o hospital. Entrei em coma”, recordou Gorzny.
“Os médicos disseram aos meus pais que eu tinha poucas chances de sair vivo. Tiraram os tubos e disseram que ou eu respirava ou não havia mais nada que pudessem fazer. Felizmente, comecei a respirar e tive uma recuperação completa”, confidenciou. Ele não teve sequelas e estima que o problema tenha atrasado sua evolução no tênis em cerca de seis meses.
“Foi uma experiência muito traumática, principalmente para minha família, porque eu simplesmente dormi e acordei. Isso me deu uma perspectiva diferente da vida. Agradeço cada dia em que estou aqui, cada momento, e tento aproveitar tudo”, destacou.
Amigo de infância de Learner Tien e Alex Michelsen, Gorzny cresceu jogando contra os dois no sul da Califórnia. Enquanto os compatriotas começaram mais cedo a obter resultados no circuito, ele optou por prosseguir pelo tênis universitário.
“Conheço Alex e Learner desde que tínhamos oito ou dez anos. Crescemos a 15 ou 20 minutos uns dos outros. Agora os vejo aqui e parece que tenho dez anos de novo. É incrível ver o que Learner está fazendo. Jogamos umas dez vezes no juvenil e ganhei as primeiras nove. Agora digo a ele: ‘O que aconteceu, cara?’”, brincou.
Depois da primeira vitória em uma chave de Grand Slam, o 731º do mundo terá a chance de medir forças com um ex-número 1. “Há algumas semanas eu assistia a todos esses caras jogando pela televisão e agora estou aqui. É emocionante. Tenho pela frente um novo desafio e uma nova oportunidade de me testar contra os melhores”, completou Gorzny.
