Os dois favoritos confirmaram e a decisão masculina do US Open verá antagonismos e tabus. Ben Shelton entrará em quadra para tentar vencer pela primeira vez Alexander Zverev no sexto duelo entre eles e, ao mesmo tempo, encerrar o penoso jejum de 23 anos do tênis norte-americano em torneios de Grand Slam.

O canhoto não mostrou o mesmo jogo espetacular que fez diante de Carlos Alcaraz, mas foi consistente o bastante para ganhar pela quarta vez em cinco confrontos de Frances Tiafoe. Precisou acima de tudo de cabeça fria para reagir após a perda do primeiro set e a maior virtude novamente residiu em sua paciência para construir os pontos. De quebra, se garante pela primeira vez no quarto lugar do ranking.

O fato de disputar sua primeira final de Grand Slam, aos 23 anos, também pode pesar no domingo, ainda que obviamente contará com o apoio maciço da torcida, sedenta por ver outro herói desde que Andy Roddick ganhou o US Open de 2003. Isso pode ser motivação, mas também cobrança. É preciso dosar as expectativas.

Ao mesmo tempo, existem problemas táticos claros a se resolver diante de Zverev, de quem só tirou um set e isso lá no primeiro duelo, em 2024. O primeiro deles certamente está na devolução do potente serviço do alemão, o que coloca evidente dificuldade para entrar nos pontos. Depois, o incômodo topspin de canhoto não funciona diante do extremamente sólido backhand adversário. Ou seja, terá de ousar mais, investir nas paralelas para atingir o ponto vulnerável de Sascha, que é o forehand em deslocamento.

O cabeça 1 teve trabalho com Karen Khachanov e o russo viu chances de ganhar ao menos um set. Mas o alemão segue em seu momento mágico e faz a terceira final de Slam consecutiva e se junta a um grupo muito seleto que o fez numa mesma temporada, casos do Big 4, Alcaraz e Jannik Sinner. Aliás, é um dos nove profissionais a ter feito ao menos semifinais em todos os Slam do calendário. O US Open, claro, deve lhe dar nó na garganta e duras recordações, já que o título de 2020 estava na mão antes de permitir a reação de Dominic Thiem.

Neste momento, Zverev empata com Sinner na liderança do ranking da temporada. Poderia ter aproveitado muito melhor o período de ausência do italiano, mas não foi bem nos dois Masters de preparação. De qualquer forma, o eventual título em Flushing Meadows fará com que salte 700 pontos à frente, colocando fogo na reta final da temporada.

Ninguém pode dizer que Sascha não esteja merecendo.

Guto, o maior juvenil da nossa história

Havia preocupações sobre o estado físico de Guto Miguel depois do duro final de partida da véspera, em que salvou três match-points, empurrou o saque e conviveu com cãibra. Mas o goiano de 17 anos jogou muito tênis nesta sexta-feira, dominou o austríaco Thilo Behrmann e irá decidir o juvenil do US Open às 12 horas deste sábado.

Tudo funcionou muito bem na semifinal. O saque esteve afiado nos momentos importantes, Guto jogou solto na base e fez ótimas transições à rede e, acima de tudo, foi inteligente e corajoso nos break-points, evitados com ace e saque-voleio.

Ele se torna assim o único juvenil brasileiro a chegar em duas finais de simples de Grand Slam numa mesma temporada. Thomaz Koch também fez duas, mas em anos consecutivos, sendo vice em Paris em ambas.

Guto também é o primeiro brasileiro a ganhar dois troféus juvenis de Slam, já que foi campeão de simples em Roland Garros e de duplas em Wimbledon. E está muito perto de repetir João Fonseca e terminar a temporada como número 1,

Seu adversário é apenas 41º do ranking no momento, porém Marcel Latak mostrou qualidades para derrotar o alemão e vice-líder do ranking, Jamie Mackenzie.

Ele gosta mesmo do tênis 🤩 pic.twitter.com/cXHH8TrL4P

— US Open Tennis (@usopen) September 11, 2026

A espetacular Siniakova

Mesmo sem abandonar a carreira de simples, a tcheca Katerina Siniakova segue colecionando marcas de peso como duplista. Nesta sexta-feira, ela e a local Taylor Townsend obtiveram o chamado Career Slam, ou seja, ao menos um título em cada perna dos Slam.

E não foi a primeira de Siniakova, que já havia feito o mesmo com Barbora Krejcikova, série completada ainda com o título olímpico.

Se a tcheca chega a 12 troféus de Slam, Taylor ficou extremamente emocionada por enfim ganhar seu primeiro US Open, depois de duas finais perdidas.

Para completar seu momento único, Siniakova chegará a 200 semanas na ponta do ranking nesta segunda-feira, assumirá o segundo lugar na contagem e fica a 37 da recordista absoluta, Martina Navratilova.

That championship feeling 🔥 pic.twitter.com/TCOMenj8DY