Rio de Janeiro (BRA) – De volta ao Brasil para tratar a lesão no abdômen, que não é considerada grave, João Fonseca completa 20 anos nesta sexta-feira, cercado pelo carinho de sua família e da admiração da torcida brasileira. Ele desistiu do Masters 1000 de Cincinnati antes de seu jogo pela terceira rodada.
Atualmente em 26º lugar no ranking, o brasileiro sentiu um incômodo no lado esquerdo do abdômen durante treino na última segunda-feira e após exames, ele e sua equipe decidiram desistir da competição para se dedicar à recuperação, visando o US Open, último Grand Slam da temporada.
Os bons resultados, a energia e o carisma de Fonseca fazem bem ao tênis, como observou o site da ATP nesta quarta-feira ao falar da nova geração que está estimulando o crescimento do tênis em todo o mundo. Apesar de jovem, o talento de Fonseca tem ajudado a atrair público em suas partidas, não apenas brasileiros. Ele já é uma atração internacional por onde passa, sendo requisitado para entrevistas, sessão de autógrafos, para vídeos para as redes sociais.
O jovem carioca acumulou conquistas e resultados positivos desde antes de se profissionalizar em 2023. Aos 17 anos, Fonseca chamou a atenção do mundo ao se tornar número 1 do ranking mundial juvenil, após a conquista do US Open, além de ter participação na conquista da primeira Copa Davis Júnior para o Brasil.
Em Jeddah, na Arábia Saudita, há dois anos, conquistou o Next Gen, torneio sub-20, de forma invicta, em final contra o americano Learner Tien. “Eu quero dizer que Fonseca, que ganhou o Next Gen Finals, esse garoto é ‘foda’! Ele vai ser um problema para muitas pessoas no circuito”, previu Andy Roddick, na ocasião, em seu podcast.
Os primeiros títulos de ATP antes do esperado
Os dois primeiros títulos ATP vieram em 2025, no ATP 250 de Buenos Aires e no ATP 500 da Basileia, seu maior troféu até agora e subindo para o 28º posto do ranking mundial. “É incrível. Quero agradecer à minha família e aos meus treinadores, que me ajudaram a alcançar esse feito extraordinário”, disse Fonseca na oportunidade. “Meus pais tinham acabado de chegar do Brasil; eles estavam a caminho de Paris, mas mudaram o voo e vieram para cá com meus tios, chegando uma hora antes da partida. É maravilhoso tê-los aqui para o maior título da minha carreira. É um prazer praticar este esporte e disputar este torneio, estou muito feliz.”
Além dos primeiros títulos, a temporada passada foi marcante na carreira de Fonseca pela disputa de seus primeiros torneios de Grand Slam, alcançando a 2ª fase no Australian Open e a 3ª rodada em Roland Garros e Wimbledon. No Masters 1000 de Paris, ao alcançar a segunda etapa, garantiu o 24º lugar na classificação mundial, seu melhor ranking na carreira até agora.
Neste ano aconteceram os primeiros duelos com nomes importantes do circuito e o que Roddick previu foi se concretizando. No Masters 1000 de Indian Wells, eliminou Karen Khachanov e Tommy Paul, antes de cair diante de Jannik Sinner em dois apertados tiebreaks. Depois, enfrentou Carlos Alcaraz em Miami e fez quartas em Monte Carlo, perdendo para Alexander Zverev.
Em Roland Garros, cruzou com Novak Djokovic na 3ª rodada e protagonizou uma emocionante vitória, de virada, sobre o recordista de títulos de Grand Slam, com parciais de 4/6, 4/6, 6/3, 7/5 e 7/5. “Na verdade, eu não acreditava que poderia vencer”, disse Fonseca em sua entrevista em quadra. “Eu apenas joguei, apenas curti estar em quadra.”
Na quarta rodada, ao vencer o norueguês Casper Ruud, então nº 16 do mundo, garantiu vaga nas quartas de final do Aberto da França, sua melhor campanha em um Grand Slam. “Ainda não cheguei ao meu limite, mas já sei que consigo me sentir confortável com o meu físico”, disse o brasileiro. “Acho que me sinto mais confortável com o meu jogo, com a maneira como estou jogando e com o fato de minha mentalidade estar no caminho certo”, avaliou.
