Montréal (Canadá) – Depois de vencer sua partida de estreia no Masters 1000 de Montréal, João Fonseca destacou a maturidade adquirida ao longo da temporada para superar o grego Stefanos Tsitsipas, repetindo a vitória conquistada sobre o ex-top 3 na Copa Davis do ano passado. O carioca de 19 anos e número 1 do Brasil relembrou a quebra sofrida quando sacava para o jogo, mas manteve a tranquilidade para criar uma nova oportunidade e definir a disputa em sets diretos.
“Acho que o João do ano passado teria perdido a cabeça. Hoje sou um João mais maduro. Fazia algumas semanas que eu não jogava, então sabia que sacar para o jogo seria um momento mais tenso. Quando ficou 5/5, pensei apenas em seguir em frente. Fiz boas devoluções, coloquei pressão nele e aquela quebra foi muito importante”, afirmou após a vitória por 7/6 (7-3) e 7/5.
O atual 27º do ranking também atribuiu essa evolução mental à experiência adquirida nos grandes torneios. “Neste ano enfrentei jogadores como Sinner, Alcaraz, Zverev, Shelton e Djokovic. Essas partidas me ajudaram muito a entender que minha força mental é uma das minhas maiores armas. Todas essas experiências foram fundamentais para o meu desenvolvimento”, destacou durante a entrevista em quadra.
Fonseca voltou a competir pela primeira vez desde Wimbledon. Nas últimas semanas, participou apenas da etapa da UTS no Rio de Janeiro. Apesar da falta de ritmo, ele reiterou, em entrevista à ESPN, que a escolha da equipe é pensando a longo prazo.
“Tenho feito cada vez mais treinos em que eu disputo sets com os grandes jogaodres. Estava há um mês e pouquinho sem jogar, mas obviamente é pensando no futuro. Então eu tento estar o mais saudável possível mentalmente durante o ano. Essa foi um pouco da nossa escolha. Muitos criticam, mas só a gente sabe o que a gente passa”, explicou o tenista, que completa 20 anos neste mês de agosto.
Já na entrevista coletiva, Fonseca voltou a elogiar a maneira como reagiu depois de perder o saque no segundo set. “Fiquei muito feliz com a forma como lidei com a situação. Permaneci focado, sabia que precisava colocar as devoluções em quadra e que ele também sentiria a pressão naquele momento. Confiei nas minhas pancadas e consegui a quebra logo em seguida”, disse.
João também comentou que precisou se adaptar às condições da quadra central, que apresentava um quique mais alto do que as quadras de treino. “No começo percebi que a bola quicava bastante, principalmente nas bolas com mais spin do backhand dele. Depois consegui me adaptar. Nessas situações, é preciso encontrar soluções”, explicou.
Nas oitavas de final, Fonseca terá pela frente o norueguês Casper Ruud, atual número 14 do mundo. Os dois voltam a se enfrentar depois da vitória do brasileiro nas oitavas de final de Roland Garros, durante a campanha que terminou nas quartas de final do Grand Slam parisiense. Ruud derrotou nesta quarta-feira o argentino Juan Manuel Cerúndolo por 6/1 e 6/2.
