Villena (Espanha) – Um dos grandes treinadores dos últimos tempos no circuito, ajudando o compatriota Carlos Alcaraz a chegar ao topo, o espanhol Juan Carlos Ferrero teve antes uma experiência frustrada com o alemão Alexander Zverev, sobre a qual falou em entrevista ao AS.

“Para mim, foi uma ótima introdução ao futuro como treinador. Acho que também comecei muito jovem. Às vezes, tomamos decisões e, com a maturidade, percebemos que poderíamos tê-las tomado de forma diferente”, disse Ferrero, que pretende voltar ao circuito em 2027.

O treinador espanhol acredita que a parceria com Zverev não foi para frente apenas por divergência de pensamentos. “No fim das contas, foi uma questão de não entendermos o profissionalismo da mesma maneira”, comentou.

“Ele o entendia de um jeito por causa de sua formação, seus costumes e sua personalidade, e eu o entendia de outro. Decidimos não continuar e foi isso. Desde então, sempre me dei muito bem com ele”, acrescentou Ferrero, que garante ter uma boa relação com Zverev.

Dois foram os exemplos citados por Ferrero para ilustrar como ele e o alemão mantêm uma relação saudável. A primeira é que sempre que o enfrentou com Alcaraz, nunca houve qualquer desentendimento. A outra, ele conta que escreveu para Zverev quando ele ganhou em Roland Garros.

“Fiquei feliz porque acho que ele é um jogador que trabalhou muito duro para isso. Ele sempre esteve perto de alcançar seu objetivo”, ponderou Ferrero ao comentar o primeiro título de Grand Slam conquistado pelo germânico.

O treinador lembra que na final do US Open de 2020 contra Dominic Thiem, ele teve uma oportunidade muito próxima que escapou. “Ele treina incrivelmente duro, é muito profissional e vem perseguindo esse objetivo”, afirmou.

Ferrero também defendeu Zverev das críticas que só venceu porque os outros não estavam lá. “É apenas uma coincidência. Nunca se sabe quando as lesões vão acontecer. Se você vence um torneio quando o outro jogador está lesionado, não acho que você deva diminuir sua conquista”.

Questionado sobre a possibilidade de ser capitão da Copa Davis no futuro, ele não descartou a possibilidade. “É uma daquelas coisas que, se você perguntar a qualquer jogador, ele dirá que adoraria fazer e ficaria muito feliz em vivenciar”, observou Ferrero.