Londres (Inglaterra) – Daniel Evans trocou rapidamente as quadras pelo banco de treinador. Três meses depois de encerrar a carreira, o britânico de 36 anos passou a se dedicar ao trabalho com Henry Searle, compatriota de 20 anos que conquistou o título juvenil de Wimbledon em 2023. A parceria começou a ser construída ainda em janeiro, quando Evans continuava em atividade no circuito.

Ex-número 21 do mundo, Evans revelou que a aproximação aconteceu em um momento de dificuldades para Searle, que havia trocado de técnico. O veterano começou a oferecer conselhos e orientações pontuais, até que os dois decidiram transformar a colaboração em um trabalho mais próximo.

“Ele é um bom jogador, mas ainda é muito inexperiente. Precisa mudar um pouco o estilo de jogo que tinha nos juvenis. Está trabalhando duro e se esforçando bastante”, afirmou Evans em entrevista ao Ubitennis, durante o challenger de Florença, na Itália.

Atual 220º do ranking, Searle é canhoto e conquistou dois títulos de challenger nesta temporada. Apesar de ter desenvolvido boa parte de seu tênis nas quadras rápidas, o jovem vem disputando torneios no saibro italiano por orientação do novo treinador, que pretende ampliar suas opções dentro de quadra.

“Estamos aqui para que ele aprenda golpes diferentes, tenha mais variedade e continue trabalhando”, explicou Evans, que considera importante desenvolver recursos técnicos que Searle não utilizava com frequência no circuito juvenil.

Parceria começou antes da despedida

Os dois também têm em comum a região onde cresceram. Evans nasceu em Birmingham e Searle em Wolverhampton, cidades de West Midlands, na Inglaterra. O veterano destacou a afinidade pessoal com o pupilo e a boa relação com sua família como fatores importantes para assumir a função.

Em julho, Evans disputou as duplas de Wimbledon ao lado de Searle, justamente em sua despedida do circuito profissional, com derrota na estreia. O britânico encerrou a carreira contrariado com a organização do torneio, que não lhe concedeu convite para a chave principal de simples, e não escondeu a emoção ao se despedir do público.

Agora, Evans acompanha o desenvolvimento do compatriota e pretende viajar com ele sempre que possível. O antigo número 1 britânico também esclareceu que trabalha diretamente para Searle, sem vínculo como treinador da federação de seu país.

“Quero que ele se dê bem, mas depende dele dar o próximo passo. Estou aqui para ajudar. Não posso fazer isso por ele”, ressaltou o agora técnico. Para Evans, o trabalho representa sua primeira experiência como na função, depois de uma carreira que o levou ao 21º lugar do ranking mundial.