Mário Sergio Cruz

De São Paulo, Especial para TenisBrasil

A temporada de 2026 tem sido difícil para Eva Lys, que depois de ter atingido o melhor ranking da carreira ainda em janeiro, conviveu com muitas limitações físicas e acumulou apenas sete vitórias. Em busca de uma recuperação, a alemã de 24 anos e 99ª do mundo chega para o SP Open com expectativas modestas, buscando evoluir a cada jogo, e tenta tratar com leveza a vida no circuito.

Em sua segunda passagem pelo Brasil, mas a primeira em competição, já que chegou a integrar os treinamentos da equipe alemã da Billie Jean King Cup para um confronto em São Paulo há duas temporadas, Lys já se encantou com a música brasileira, com os brigadeiros e pães de queijo, e com a receptividade das pessoas nos dias que antecedem o WTA 250 da capital paulista.

“Espero que faça mais sol, porque já está chovendo há alguns dias”, disse Lys a TenisBrasil. “É a minha primeira vez jogando aqui e também a primeira em muito tempo jogando com um pouco de altitude. Então a gente precisa de alguns dias para se ajustar, mas estou me sentindo bem”.

“Sei que tive um ano difícil, então as expectativas são moderadas. Quero estar saudável e jogar o máximos de partidas que eu puder. Estou aproveitando muito bem o meu tempo aqui e espero ficar um pouco mais”, acrescenta a cabeça 5 do torneio, que enfrentará uma brasileira na estreia e enfrenta a gaúcha Gabriela Cé nesta terça-feira.

Nascida em Kiev, na Ucrânia, a tenista é treinada pelo pai, Vladimir, que disputou a Copa Davis por seu país de origem. A família se mudou para a Alemanha e se baseou em Hamburgo quando Eva tinha apenas dois anos. Depois de integrar o programa de jovens talentos da Federação Alemã, a jogadora se profissionalizou e chegou ao top 50 na última temporada, com destaque para a vitória contra Elena Rybakina em Pequim. Já no início deste ano, ocupou a 39ª posição do ranking, melhor marca da carreira.

MINHA PEQUENA EVA (EVAAAAA) 🎵

A adm tinha uma missão: mostrar para a Eva Lys uma música muito especial para nós brasileiros. E não é que ela amou? ♥️ pic.twitter.com/W4MLZVHvaq

— SP Open (@spopenoficial) September 14, 2026

O caminho da jovem tenista também foi inspirado no sucesso de uma geração de ouro do tênis feminino alemão, liderada pela ex-número 1 do mundo Angelique Kerber, mas que também contou com outras jogadoras de destaque da última década como Sabine Lisicki, Andrea Petkovic, Julia Goerges, Laura Siegemund e Mona Barthel. Atualmente, Lys é a terceira melhor do país, atrás das experientes Tamara Korpatsch, de 32 anos e 49ª do ranking, e Tatjana Maria, 80ª colocada aos 39 anos.

“Na Alemanha, a gente sempre diz que tivemos uma geração de ouro porque eram muitas jogadoras incríveis! E para mim, ou para qualquer jogadora jovem, foi ótimo crescer com bons exemplos”, afirmou. “Eu conheci a Petkovic e comecei a jogar com um estilo parecido com o dela. Também conheci muitas jogadoras mais velhas. Claro que agora é um pouco triste, porque elas estão parando de jogar, mas para todas nós era importante poder se inspirar nelas.

“Espero ser também um exemplo para as gerações mais novas para que elas possam ver que o tênis é um trabalho duro, mas também pode ser divertido”, explicou a jogadora, que ainda busca o primeiro título de WTA e tem como melhor resultado em Grand Slam as oitavas de final do Australian Open do ano passado.

Doença crônica e limitação no treinos

A condição física de Lys também precisa ser acompanhada de perto. Diagnosticada com espondiloartrite, uma doença inflamatória crônica que afeta as articulações, especialmente a coluna vertebral, a alemã precisa ser cautelosa com o calendário de treinos e competições.

“É algo que eu convivo todos os dias. E vai ficar comigo enquanto eu continuar jogando. Tenho que ser mais cuidadosa. Meu time sabe que às vezes o planejamento de treinos tem que mudar quando eu acordo e não me sinto bem”, relatou. “Nunca faço muitos planos para o futuro, porque eu sei que isso vai depender de como o meu corpo vai estar. Especialmente porque este ano foi o mais difícil que eu já tive. Tentei me levar ao meu limite, mas o meu corpo me pediu para relaxar”.

“É por isso que não pude jogar muitas partidas e tive altos e baixos fisicamente. Mas acho que todo mundo tem um peso para carregar. Ninguém nunca sabe 100% do que acontece na vida do outro. É um grande desafio saber o quão longe eu posso chegar, mas acho que vai melhorar agora”, acrescentou a jogadora, com otimismo.

Vitória sobre Rybakina e jogo duro com Swiatek

Além da vitória sobre Rybakina, que nesta semana assume a liderança do ranking depois de ter conquistado o US Open, Lys destaca também uma derrota em três sets para Iga Swiatek no início do ano na Austrália. Ela se lembra de confontos anteriores contra a polonesa em que a diferença no placar era muito maior e enxerga nesses jogos um sinal de evolução.

“Acho que foram as partidas mais importantes que eu tive na minha carreira, especialmente porque antes eu fazia poucos games contra ela e nessa partida que foi ao terceiro set eu tive chance de vencer. Acho que esse é um sinal de que estou progredindo como jogadora”, avalia. “Na semana passada, quando joguei o US Open, enfrentei a Mirra Andreeva e me lembrei do ano passado, porque eu estava jogando um bom tênis, mas não me sentia bem fisicamente para enfrentar uma top 10”.

“Sei que estou no caminho certo, mas eu preciso estar fisicamente forte para enfrentar essas jogadoras. Vou encontrar o meu nível de novo e fazer partidas melhores que a da semana passada. Mas lembrar da maneira como eu joguei contra a Iga no começo do ano é algo que me motiva a seguir em frente”.