Mário Sergio Cruz
De São Paulo, Especial para TenisBrasil
Na semana em que aparece com o melhor ranking da carreira, ocupando agora a terceira posição entre as especialistas em duplas, Luísa Stefani tem a oportunidade de jogar em casa e será uma das principais atrações da segunda edição SP Open, no Parque Villa Lobos. Atual campeã do torneio na capital paulista, Stefani também busca virar a página após a dura derrota na semifinal do US Open e conta que o último jogo trouxe reflexões.
A brasileira e a canadense Gabriela Dabrowski estavam a dois pontos da vitória contra as norte-americanas Ashlyn Krueger e Robin Montgomery. Mas depois de liderarem o tiebreak do terceiro set por 8-2, permitiram a reação das jovens tenistas da casa. A paulistana de 29 anos reconhece que não foi fácil lidar com a derrota, mas tenta aproveitar o torneio em sua cidade natal para se reconectar celebrar o momento do tênis feminino no Brasil.
“Obviamente não foi um jogo fácil de perder e não nego que tive uma descarga de emoções e chorei. Mas ao mesmo tempo é interessante essa questão de como virar a página, porque não é a primeira vez que perco um jogo assim e provavelmente não vai ser a última. Já estive do outro lado da moeda também”, disse Stefani a TenisBrasil durante a coletiva de imprensa desta segunda-feira.
“O jogo da medalha olímpica é o maior exemplo. A gente estava atrás e ganhou. E agora tem o outro lado da moeda. Mas eu me coloquei em uma das melhores posições possíveis para poder vencer e isso e melhor do que não ter essa oportunidade”, acrescenta a brasileira, que chegou pelo menos à semifinal nos quatro torneios do Grand Slam da temporada.
“Quanto mais eu estiver batendo na porta e melhorando, lidando melhor com esses momentos, mais chance de sucsso nos torneios grandes”, complementou a tenista, que ainda busca seu primeiro Slam nas duplas femininas e tem um título do Australian Open nas mistas, ao lado de Rafael Matos, em 2023.
Stefani diz que tenta assimilar a derrota e diz que jogos como aquele trazem lições importantes. “Conversando com o meu time, foi super importante entender racionalmente o que aconteceu no jogo para aprender com esses momentos. É nesses jogos que a gente expõe nossa maior vulnerabilidade, mas também são esses jogos que nos tornaram uma dupla mais forte”.
“Eu tenho maneiras de tentar entender. Às vezes é indescritível, não dá para explicar. Às vezes você assiste o jogo e pensa como essa pessoa perdeu? É o que deixa o tênis um esporte tão maravilhoso e tão cruel ao mesmo tempo. Por esse lado, tem sido um grande aprendizado. Está super fresco. E com o tempo eu vou olhar para essa campanha com mais carinho do que assim que saí do jogo”.
Stefani e Dabrowski são as principais cabeças de chave do SP Open e estreiam em um jogo com três brasileiras em quadra, contra Rebeca Pereira e Marjorie Souza. “Essa semana é o momento de celebrar a grandiosidade do tênis feminino e a união de todos que vivem do nosso esporte e mostraram o tanto que a gente tem a oferecer”, disse a número 3 do mundo.
“Para mim, esse é o mais importante dessa semana e comemorar o ano e o tênis feminino brasileiro no geral. É muito bom inspirar as próximas gerações que podem assistir e sentir de perto para saber que a gente é de verdade”, acrescentou. “Posso estar lá jogando o US Open e os Grand Slam, mas aqui eu continuo sendo a mesma jogadora e tento retribuir essas experiências para quem está perto no nosso país”.
