Ainda é tempo de, infelizmente, o tema ser a precoce eliminação de Novak Djokovic no US Open. Afinal, autoridades, ex-jogadores seguem repercutindo o futuro do líder em troféus de Grand Slam. As diversas opiniões são relativamente parecidas, desde Andy Roddick, hoje influente e competente comentarista, até ex-tenistas como Simone Halep. Há em todos, como não poderia ser diferente, um sacro respeito a vitoriosa carreira de sérvio.
Assim seja por lesão ou o tempo, em especial num esporte individual de alto nível, que o corpo é implacável e fala mais alto. Djokovic segue como grande estrela. Ano passado tive a oportunidade de vê-lo em ação na Arthur Ashe e o clima para acompanhar o sérvio em quadra era eletrizante. Vou até colocar um vídeo no meu Instagram @chiquinholmoreira, mostrando os momentos antes de sua entrada. Por questões de novas regras, jornalistas de TVs sem os direitos de transmissão estão com seus trabalhos muito restritos e, por isso, não pude mostrar (nem em media social) Djokovic jogando.
É lógico que Djokovic segue como grande atração. Mas será que precisa passar por certas situações nada agradáveis, como chorar ao marcar um game? Não há dúvidas de que só depende dele próprio a iniciativa de continuar no tour e talvez acostumar-se a derrotas precoces. É um ponto. Lembro do que aconteceu com Pete Sampras. O norte-americano andava sofrendo frequentes resultados frustrantes, até que, de repente, conquistou o título do US Open. Na sequência anunciou sua aposentadoria. Pendurou a raquete no auge.
Veja o que acontece com os outros integrantes do Big 3. Roger Federer em recentes dias nos Estados Unidos foi insistentemente questionado se não poderia voltar aos torneios profissionais. Afinal, segue com um tênis de altíssima qualidade. Mas sabe que não suportaria mais a intensidade dos jogos e optou por respeitar o seu corpo. Agora quem não gostaria de ver as vitórias de Rafael Nadal, não em torneios de golfe, mas sim no tênis. Só que o espanhol seguiu o mesmo pensamento do suíço.
Esses limites impostos pelo tempo, mesmo em se falando de um atleta completo como Djokovic, são mesmos cruéis. Essa situação me fez lembrar a despedida de Guga Kuerten. Em emocionante discurso na Costa do Sauípe, ele confessou que queria seguir jogando, mas não se tratava apenas de um desejo, mas sim de uma resposta de seu corpo.
Novak Djokovic tem um leque de opções pela frente. E seu futuro nas quadras vai depender da decisão que escolher. Fica a pergunta: será que uma derrota como essa do US Open irá determinar seu destino? Ou se irá analisar o conjunto de situações que estão a sua volta?
