Milão (Itália) – Acostumado a comparações com grandes nomes de gerações mais jovens, Novak Djokovic admitiu que se identifica bastante com Jannik Sinner e enxerga muitas semelhanças entre os dois. O sérvio destacou não apenas características do jogo, mas também a trajetória e a mentalidade do atual número 1 do mundo.

“Há muitos pontos em comum, embora cada ser humano seja único e especial. Nós dois viemos das montanhas: ele do Tirol do Sul e eu da Sérvia. Inicialmente, escolhemos o esqui como esporte, saímos de casa aos 13 anos e fomos obrigados a nos tornar homens muito rapidamente, longe de nossas famílias e das pessoas que amamos”, afirmou Djokovic em entrevista à jornalista Gaia Piccardi, do jornal italiano Corriere della Sera.

A experiência com o esqui é uma das semelhanças apontadas pelo sérvio. “Não há dúvida de que o esqui nos deu elasticidade, movimentação e capacidade de deslizar em qualquer superfície. A flexibilidade dos tornozelos vem da neve, assim como o equilíbrio e a coordenação entre os membros superiores e inferiores”, explicou o experiente tenista de 39 anos.

Djokovic também vê pontos em comum no estilo dos dois. “Nem vou entrar em questões mais técnicas sobre o tipo de tênis que Jannik e eu jogamos. Também há muitas semelhanças. Então, para responder brevemente: sim, eu me vejo refletido em Sinner”, afirmou o dono de 24 títulos de Grand Slam.

O sérvio destacou ainda a dedicação e o foco do italiano. “Eu não falaria em obsessão, mas em uma dedicação constante e absoluta ao tênis. Observo a dele e me vejo completamente refletido nisso. Jannik, como eu, nunca está satisfeito. Tem mentalidade de campeão, sempre teve e terá. É uma força dominante e, ainda assim, acorda todas as manhãs querendo ser melhor do que no dia anterior”, elogiou.

“Acredite em mim, não existe vitória capaz de saciar essa fome, nem mesmo 24 títulos de Grand Slam. Além do tênis, é a característica que mais me aproxima de Sinner. O tênis é um esporte individual. Se tiver um dia ruim, está fora. O tênis é implacável, brutal”, ponderou Djokovic.

Djokovic também foi questionado se lamentava ter dado conselhos a Darren Cahill, então treinador de Sinner, depois de derrotar o italiano nas semifinais de Wimbledon de 2023. Desde então, Sinner conseguiu mudar bastante o cenário do confronto direto e passou a acumular importantes vitórias sobre o sérvio. “Por que eu me arrependeria? Naquele momento, não poderia deixar de ser fiel a mim mesmo, independentemente do que estivesse em jogo. É assim que eu sou”, concluiu.

Nesta semana, Djokovic disputou o Masters 1000 de Cincinnati e foi surpreendido logo na estreia pelo argentino Thiago Tirante, número 50 do ranking mundial. O veterano sofreu com problemas físicos durante a partida e levou a virada. O sérvio mira suas atenções para o US Open, evento que já conquistou por quatro vezes.