Nova York (EUA) – A derrota de Marcelo Demoliner na estreia da chave de duplas do US Open ganhou um capítulo a mais após o jogo. Em entrevista à ESPN, o brasileiro revelou que entrou em quadra neste sábado com uma lesão no peitoral maior sofrida dois dias antes, durante um treino, e afirmou que não tinha condições de disputar a partida contra os anfitriões Nathaniel Lammons e Jackson Withrow.
“Foi muito difícil. Há dois dias, durante um treino, no aquecimento, eu dei uma direita e abriu um buraco, uma distensão no meu peitoral maior. Eu não queria ter jogado, eu não tinha condição”, contou Demoliner.
O gaúcho explicou que decidiu entrar em quadra por causa da regra de premiação dos Grand Slam. Segundo ele, como não havia disputado uma partida nos 21 dias anteriores, uma desistência sem entrar em quadra faria com que perdesse o direito à premiação prevista para o torneio.
“Foi por isso que eu joguei, porque senão não teria recebido o prize money, que em Grand Slam conta muito. É ainda dez vezes menor que o valor das simples, mas para nós US$ 15 mil não é sempre que conseguimos ganhar”, afirmou.
Antes da partida, Demoliner tentou fazer o aquecimento e percebeu as limitações causadas pela lesão. O brasileiro relatou que não conseguia segurar a raquete normalmente, tomou anti-inflamatórios, enfaixou o ombro e entrou em quadra mesmo sem conseguir executar seus movimentos habituais. “Eu não conseguia sacar e bater a direita, porque tem um buraco no peito”, explicou.
Demoliner precisou adaptar completamente o jogo
A solução encontrada pelo brasileiro foi improvisar. Sem conseguir mudar a empunhadura da raquete normalmente, ele passou a utilizar praticamente apenas a continental e teve de recorrer a bolas de duas mãos e lobs para tentar se manter nos pontos.
No saque, Demoliner também precisou encontrar uma alternativa. “Eu estava sacando o famoso saque helicóptero”, contou, explicando que, mesmo com a limitação, conseguiu colocar dificuldades para os adversários nas devoluções. A estratégia funcionou melhor do que o esperado no início. Ao lado do taiwanês Ray Ho, Demoliner conseguiu uma quebra no primeiro set e confirmou a vantagem para sair na frente por 6/4.
No segundo set, a dupla teve novas oportunidades. Foram 11 break-points ao todo, quatro para Demoliner e Ho e sete para os americanos, mas nenhuma das parcerias conseguiu aproveitar as chances. No tiebreak, Lammons e Withrow dominaram e venceram por 7-1.
“Eu falei: não é possível que vamos ganhar esse jogo e eu sem braço”, contou Demoliner sobre o momento em que sua dupla teve 15-40 no 5/5 da segunda parcial.
Os americanos aproveitaram o embalo no terceiro set, conseguiram a quebra logo no primeiro game e abriram vantagem. Demoliner e Ho ainda tiveram uma chance de devolver a quebra, mas Lammons e Withrow salvaram o break-point e voltaram a quebrar no sétimo game para abrir 5/2. Na sequência, confirmaram o serviço e fecharam a partida por 6/2.
