Bucareste (Romênia) – Perto de encerrar a trajetória profissional de 20 anos, Sorana Cirstea admite que mudaria a maneira como encarava o tênis no início da carreira. A romena de 36 anos, que deixará o circuito ao fim de 2026, contou que gostaria de ter aproveitado mais os primeiros anos como profissional. A reflexão foi feita em entrevista à WTA, conduzida pela norte-americana Alison Riske.
“Quando eu tinha 17 anos, sucesso para mim era ser número 1 e ganhar muitos títulos de Grand Slam. É uma carreira muito longa, mas, ao mesmo tempo, tudo passa rápido. Gostaria de ter aproveitado mais no começo”, comentou a atual 16ª colocada do ranking.
A experiente tenista lembrou que costumava sofrer muito com as derrotas. Depois de perder uma semifinal em Luxemburgo para Elena Dementieva, então top 10, passou dois dias sem querer sair do quarto. Hoje, diz encontrar satisfação também nos pequenos avanços, nos treinamentos e na convivência com sua equipe.
Absolute scenes in Wuhan 😲
Guo Hanyu with an unbelievable comeback to defeat Cirstea!
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— wta (@WTA) October 13, 2026
“Sucesso também é fazer o que você ama, acordar todos os dias com vontade de enfrentar a jornada e tentar fazer alguma coisa melhor do que ontem”, filosofou a atleta de Bucareste.
Cirstea vive uma de suas melhores temporadas. Em fevereiro, conquistou o título do WTA 250 de Cluj-Napoca, diante de sua torcida, ao vencer a britânica Emma Raducanu na final. Ainda alcançou as quartas de final de Roland Garros, repetindo a campanha de 2009, e chegou à mesma fase em Linz, além de conquistar o título de duplas do torneio austríaco ao lado da chinesa Shuai Zhang.
Em sua última participação no US Open, a romena chegou às oitavas de final, depois de vencer a italiana Jasmine Paolini na terceira rodada. Na sequência, foi eliminada pela local Jessica Pegula. Já nesta terça-feira, perdeu na estreia do WTA 1000 de Wuhan para a chinesa Hanyu Guo, 240ª do ranking, por 1/6, 7/6 (8-6) e 7/5, após desperdiçar três match-points.
A conquista em Cluj-Napoca teve um significado especial. “Se tivesse que me aposentar na segunda-feira seguinte, estaria em paz”, confidenciou a romena, que realizou o sonho de levantar um troféu em seu país.
Cirstea também recordou o problema físico que enfrentou depois de Wimbledon em 2024, quando passou meses com dores. A cirurgia não era necessária para sua vida cotidiana, mas foi a saída encontrada para tentar continuar jogando profissionalmente.
A romena também agradeceu aos pais pelo apoio desde que começou a jogar, aos quatro anos. “Eu diria que eles sacrificaram a própria vida para que eu pudesse estar aqui”, assegurou.
Com poucos torneios pela frente, Cirstea quer aproveitar a despedida sem perder o prazer de competir. “Estou aproveitando cada dia ao máximo. Para mim, é muito importante saber quando parar e que isso aconteça nos meus próprios termos. Vou continuar enquanto estiver feliz”, concluiu.
A romena está inscrita nos torneios de Ningbo, Tóquio e Hong Kong, seus três últimos compromissos previstos antes da aposentadoria. Cirstea não anunciou se pretende disputar alguma partida de exibição para celebrar sua despedida do tênis profissional.
