Nova Delhi (Índia) – Ex-número 1 do mundo de duplas, Mahesh Bhupathi criticou a falta de estrutura do tênis indiano e afirmou que o país precisará de pelo menos dez anos para voltar a formar jogadores competitivos. Em entrevista ao jornal Hindustan Times, nesta terça-feira, explicou por que decidiu disputar as eleições da federação nacional, marcadas para 7 de novembro.

“Se não existe estrutura no país, não podemos esperar milagres. Se começarmos a construir uma agora, daqui a dez anos poderemos avaliar quantos jogadores estarão nos Grand Slam e quantas medalhas conquistaremos nos Jogos Asiáticos”, afirmou Bhupathi. A Índia ficou sem medalhas no tênis dos Jogos Asiáticos pela primeira vez em 40 anos.

O ex-profissional de 52 anos defende mudanças na formação de jogadores e uma distribuição mais eficiente dos recursos destinados ao tênis. Segundo ele, o governo dispõe de verbas, mas falta à federação apresentar um projeto para utilizá-las. Bhupathi já conversou sobre seus planos com o ministro dos Esportes do país.

“Não existe uma solução de curto prazo. Você não pode me dar dinheiro amanhã, colocar um jogador de 18 anos na minha frente e pedir milagres. No esporte não funciona assim. Serão necessários pelo menos dez anos, talvez 15”, afirmou.

Aposentado em 2016, Bhupathi conquistou 52 títulos de duplas no circuito, incluindo quatro de Grand Slam, além de oito troféus de duplas mistas. Chegou à liderança do ranking em abril de 1999 e disputou cinco Olimpíadas, de Atlanta 1996 a Londres 2012. Seu melhor resultado foi o quarto lugar em Atenas 2004, ao lado de Leander Paes.

Bhupathi disputa uma das vagas destinadas a ex-atletas na federação indiana, em eleição que também tem Sania Mirza entre os candidatos. Caso seja eleito, pretende trabalhar na formação de jogadores, sem assumir funções administrativas. Para o ex-número 1, só um trabalho de longo prazo permitirá ao país voltar a ter representantes regulares no top 100 mundial.