Berlim (Alemanha) – O ex-número 1 do mundo Boris Becker acredita que Alexander Zverev precisa aproveitar os próximos anos para deixar um legado, haja vista que a nova geração vem apresentando resultados consistentes. O alemão orientou o compatriota a ter senso de urgência neste momento da carreira.
O agora comentarista acredita que o campeão de Roland Garros e número 3 do mundo ainda tem tempo para aumentar sua lista de conquistas antes de perder espaço para os jovens talentos do circuito. Aos 29 anos, Zverev conquistou seu primeiro Grand Slam em Paris e depois foi vice-campeão em Wimbledon. Nesta semana, ele caiu logo na estreia do Masters 1000 de Montréal, surpreendido pelo holandês Tallon Griekspoor.
Zverev agora volta suas atenções para o Masters 1000 de Cincinnati, onde será o cabeça de chave 2. O alemão classificou a atuação contra Griekspoor como sua pior na temporada e busca recuperar o ritmo antes do US Open, último Slam da temporada.
Becker foi taxativo sobre o atual momento do compatriota. “Se eu fosse ele, teria pressa para conseguir essas próximas vitórias. Ele tem 29 anos, não 25. Seus principais concorrentes são mais jovens e outras gerações estão chegando”, disparou.
“Depois de dez ou onze anos como profissional, você sente isso fisicamente, mas também mentalmente. Não consegue estar tão motivado para todas as partidas como estava cinco anos atrás”, afirmou Becker em seu podcast. O seis vezes campeão de Grand Slam acredita que a conquista inédita de Roland Garros mudou a postura de Zverev dentro de quadra. Mesmo demonstrando mais confiança, o tenista de Hamburgo admitiu que não esperava alcançar um grande resultado no Canadá.
Na visão de Becker, Zverev melhorou bastante, mas ressaltou que ele deve manter a concentração nos próximos anos. “Ele parece muito mais leve, jogou muito bem e não aparentava estar nervoso. Algo aconteceu com ele, seja no aspecto pessoal, privado ou profissional, e isso obviamente mudou seu jogo”, pontuou.
“Hoje ele joga de forma muito mais ofensiva, fica mais próximo da linha de base, vai à rede e apresenta mais variações. Houve um grande passo no desenvolvimento de Sascha Zverev”, prosseguiu o ex-profissional de 58 anos.
Apesar de elogiar a fase do compatriota, Becker acredita que ele terá de continuar encontrando maneiras de evoluir para permanecer entre os principais nomes do circuito. “Acho que ele pode manter sua forma atual por mais um ano e meio ou dois. Depois disso, terá de haver uma evolução”, assegurou.
Campeão de Cincinnati em 2021 e semifinalista nas últimas três edições, Zverev retomará a vice-liderança do ranking, já que Carlos Alcaraz está fora e defende o título. O alemão tenta aproveitar o evento em Ohio para conquistar seu primeiro Masters 1000 na temporada e ganhar ritmo antes do US Open. Em 2026, ele foi vice-campeão em Madri e caiu na penúltima rodada em Indian Wells, Miami e Monte Carlo, sempre pelas mãos do número 1, o italiano Jannik Sinner.
