Londres (Inglaterra) – A ATP aprovou o teste de uma nova regra para reduzir o impacto das diferentes bolas nos torneios, alvo de constantes reclamações dos jogadores. Inicialmente, a medida será implementada nos torneios challenger, com expectativa de ser ampliada para o restante no circuito em caso de sucesso.
A partir desta semana, algumas competições passarão a fazer as substituições com maior frequência durante as partidas. A primeira troca de bolas deixará de acontecer no sétimo game, sendo antecipada para o quinto. Depois disso, as substituições, que normalmente ocorrem a cada nove games, serão realizadas a cada sete.
A mudança teve o aval do Conselho de Jogadores da ATP e tenta amenizar os efeitos das diferenças entre as bolas utilizadas ao longo da temporada. Diversos atletas apontam que a constante troca de fabricantes entre os torneios contribui para o aumento de lesões, especialmente no punho, cotovelo, antebraço e ombro.
Durante Wimbledon, o semifinalista Novak Djokovic voltou a comentar o assunto e afirmou que o problema se intensificou após a pandemia. “Todos concordamos que, desde a Covid, alguma coisa mudou. As instalações de produção na China utilizadas pela maioria das fabricantes de bolas mudaram”, disse.
“Sem dúvida, houve alguma alteração nos materiais, algo que afetou a forma como a bola reage atualmente. Percebo que as bolas estão mais lentas hoje em dia”, reclamou o ex-número 1 do mundo.
As queixas são recorrentes ao longo da temporada. O Australian Open utiliza bolas Dunlop, enquanto Roland Garros usa Wilson, assim como o US Open. Já Wimbledon adota Slazenger, sempre com especificações diferentes. Além disso, diversos torneios ATP e challenger utilizam outros fabricantes, obrigando os jogadores a constantes adaptações.
Em entrevista ao site Punto de Break, em 2023, o veterano espanhol Pablo Carreño atribuiu parte de sua lesão no cotovelo às constantes mudanças de bolas. “Tenho certeza de que as bolas tiveram relação com o meu problema no cotovelo. Elas são muito diferentes entre si, e a troca constante influencia bastante”, garantiu o ex-top 10.
Atual número 3 do mundo e afastado por conta de uma grave lesão no punho direito desde abril, Carlos Alcaraz também defende a padronização das bolas. “Essa é a única coisa que eu mudaria: jogar todos os torneios do ano com a mesma bola. Hoje você precisa adaptar seu jogo porque, em cada torneio, a bola é diferente”, analisou.
No ano passado, a ATP centralizou a escolha dos fornecedores de bolas e retirou dos torneios a autonomia para definir as marcas. O início dos testes nos torneios challenger representa mais um passo nessa direção. Caso a experiência apresente resultados positivos, a tendência é de que haja expansão para os torneios maiores.
