Felipe Priante

Da Costa do Sauípe, Especial para TenisBrasil

Cada vez mais jogadores conseguem sucesso no tênis profissional depois de passar pelo universitário norte-americano. Entre os jogadores que estiveram em quadra nesta semana no Costa do Sauípe Open, três brasileiros sabem muito bem como é isso. O segundo capítulo da série de três partes traz Lucas Andrade, que competiu e se formou pela University of South Carolina.

Recém-formado, o paulista de 21 anos traçou um caminho diferente e foi ainda mais cedo do que os demais para os Estados Unidos, indo cursar o que seria o ensino médio. “Sempre foi uma ideia minha, do meu pai, que já morou fora. Quando cheguei ali com 16 anos, eu fui para os lá fazer o ‘high school’, já com a ideia de ir para o universitário”, contou Andrade.

Depois de completar o ensino médio, ele seguiu para o tênis universitário e depois de ouvir algumas propostas optou por South Carolina. “Lá eles me deram uma oportunidade para jogar. Não estava num nível de tênis tão alto para ir para a universidade que eu fui, mas acabaram vendo um potencial e me deram essa oportunidade. Eu evolui bastante e foi a melhor escolha que fiz”, afirma o confiante tenista.

“Acho que eu tive a sorte de ter um treinador muito bom, Josh Goff, que entende muito de tênis e me ajudou muito. A temporada universitária é muito dura, que são jogos todos os finais de semana. Então, tem que saber estar sempre jogando com a cabeça boa, que perde um jogo e já tem outro”, acrescentou Andrade.

Diferente de Rafael Tosetto, que estudou nos EUA bem na época da pandemia, Andrade conseguiu competir no circuito profissional durante as férias e inclusive venceu seu primeiro torneio em 2025, um M25 em São Paulo. Por isso, o retorno ao circuito não foi uma mudança tão abrupta para ele, embora mesmo assim não seja fácil.

Adaptação rápida ao profissional

Após quatro anos só jogando em quadras duras, que inclusive se adaptam bem ao seu estilo de jogo, ele teve que se readaptar a competir no saibro. “Eu não estava acostumado a jogar (no saibro) e acho que essa é a maior diferença. O pessoal lá na rápida está sempre jogando muito para frente, o jogo fica muito mais rápido. No saibro é um pouco diferente, tem que ter mais a manha, colocar mais as bolas, jogar com mais altura, mais peso, correr mais”.

Andrade tem mostrado boa adaptação na volta à terra batida, tanto que seus três títulos conquistados até então vieram justamente neste piso, com destaque para os dois títulos seguidos em Quito, em outubro deste ano. “Fui para o Equador com o objetivo de ir bem nas duas semanas, pontuar bastante. Acho que fui no jogo a jogo e estava me sentindo muito bem lá, sacando bem. Todo jogo eu estava achando um caminho, estava no flow, me sentindo muito bem em quadra.”, analisou.

Os dois títulos seguidos o fizeram dar um salto de quase 200 posições nas últimas semanas, chegando atualmente no 581º lugar o melhor da carreira. “I tênis é um esporte muito de estar indo bem, estar ganhando jogos. Sempre quando você começa a perder um jogo em seguida, já quer ganhar de novo. Porque isso que é a nossa vida, o nosso esporte”, comentou o paulista, que vai buscar desafios maiores.

Nesta reta final de ano, ele pretende disputar challengers, seja como convidado, assim como aconteceu em Curitiba e agora na Costa do Sauípe, ou mesmo jogando o quali. Depois de encerrar sua campanha no torneio baiano, ele voltará para o Rio, onde está morando e treinando (na Tennis Route) e irá se preparar para jogar quatro challengers: El Salvador, Bogotá, e dois em La Paz.

“Jogo esses últimos quatro pra terminar o ano e poder descansar e fechar minhas férias”, contou Andrade, que aos 21 anos de idade ainda se considera bastante novo no circuito profissional. Por isso, quer aproveitar cada momento, pegar experiência e evoluir seu jogo. Todo jogo sempre tento melhorar alguma coisa. Não estou focando muito em resultado agora, mas sim evoluir cada dia e melhorar no processo”, finalizou.