Londres (Inglaterra) – Carlos Alcaraz voltou a criticar a programação dos torneios de Grand Slam depois de protagonizar a partida que terminou mais tarde na história do US Open. Em Londres para disputar a Laver Cup, o espanhol defendeu mudanças nas sessões noturnas e considera que até mesmo encerrar um jogo à meia-noite já é tarde demais.

O número 3 do mundo ainda tem fresca na memória a derrota em cinco sets para Ben Shelton nas quartas de final do US Open. O confronto durou 4h28 e terminou às 3h33 da madrugada em Nova York, estabelecendo o recorde de partida encerrada mais tarde na história da competição.

Para Alcaraz, situações como essa comprometem a recuperação dos jogadores. “Terminar às 3h30 significa sair da quadra por volta das 4h30 e depois voltar ao hotel. Não conseguimos dormir antes das 6h30 ou 7h da manhã”, disparou o atleta de 23 anos.

Day 1 Lineups of Laver Cup London 2026 are in.

Day 1 Lineups are submitted by the Captains in a blind draw. As hosts, Team Europe can choose whether to select their lineup first on Saturday or Sunday. They have chosen to select first on Saturday and second on Sunday.#LaverCup… pic.twitter.com/8EuYy7867W

— Laver Cup (@LaverCup) September 24, 2026

O ex-líder disse que é inviável estar 100% pronto para o próximo jogo sem o descanso necessário. “Na hora de se recuperar para a próxima partida, o adversário tem vantagem. É demais. Precisam fazer alguma coisa. E não estou falando apenas das 3h30. Terminar à meia-noite já é tarde demais”, avaliou.

O espanhol também lamentou que parte do público tenha perdido os momentos decisivos de sua partida contra Shelton. “Muita gente ficou, mas, se aquela partida tivesse começado às 19h ou 20h, teríamos terminado no máximo às 23h e o estádio estaria lotado. Ninguém teria ido embora. Muita gente perdeu aquele jogo por causa do horário”, destacou o dono de sete títulos de Grand Slam.

Entre os quatro Grand Slam, Wimbledon é o único que estabelece um limite para o encerramento das partidas, às 23h locais, por restrições de horário impostas pelas autoridades locais.

Australian Open, Roland Garros e US Open não adotam a mesma restrição. Em Paris, por exemplo, Novak Djokovic e Lorenzo Musetti protagonizaram outro caso extremo em 2024, quando terminaram uma partida depois das 3h da madrugada.

Agassi defende cinco sets nos grandes torneios

A discussão também envolve a duração dos confrontos masculinos, disputados em melhor de cinco sets. Capitão do Time Mundo na Laver Cup, Andre Agassi defendeu a manutenção do formato.

“Acredito que é possível ter sorte e vencer uma partida em melhor de três sets, mas não em melhor de cinco. É preciso realmente merecer. Deve haver uma distinção entre conquistar um Grand Slam e vencer os demais torneios do circuito”, afirmou o ex-número 1.

O norte-americano, vencedor de oito Grand Slam, reconheceu o problema dos horários, mas considera que reduzir as partidas prejudicaria a tradição do esporte.

“Não queremos que os jogos terminem tão tarde. É lamentável e já passei por isso muitas vezes. Mas a última coisa que queremos é colocar um asterisco na história do nosso esporte. Continua sendo um esporte de gladiadores. Gosto disso”, destacou.

Alcaraz estreia nesta sexta-feira na Laver Cup, em Londres, ao lado do tcheco Jakub Mensik. A dupla do Time Europa enfrentará o cazaque Alexander Bublik e o norte-americano Taylor Fritz no último jogo do dia, por volta de 16h30 de Brasília.