O WTA 1000 de Pequim terminou da melhor forma possível. Luísa Stefani e a canadense Gabriela Dabrowski reafirmam o ótimo momento e mostram que a parceria ainda tem muito espaço para evoluir, enquanto o tênis ganhou de volta a estrela chinesa Qinwen Zheng.
Stefani já vinha fazendo sua melhor campanha da carreira, já que atingiu a final de Wimbledon e semi nos demais Grand Slam, mas isso se confirma agora também de forma numérica, já que é a primeira vez que ela ergue cinco troféus num mesmo calendário. Dois deles, aliás, foram de nível 1000.
O mais animador de tudo isso é ver que as duas podem jogar ainda melhor. A devolução de Luísa ganhou solidez, mas ainda é seu ponto mais vulnerável. Gaby por sua vez tem perigosos altos e baixos, às vezes dentro do mesmo set ou até num único game, talvez porque tenha ímpeto agressivo um pouco acima do ideal.
Stefani mantém o terceiro posto do ranking e, apesar da ausência da vice-líder Taylor Townsend, não terá chance de atingir o número 2 do ranking em Wuhan, que começa nesta semana, porque está há exatos 1.000 pontos e defende as oitavas de final. Quem sabe, a nova ascensão possa acontecer no WTA Finals de Indian Wells.
No entanto, o número 1 da temporada pode mudar de mãos. A dupla da brasileira está agora 623 pontos atrás de Townsend e Katerina Siniakova, porém a canhota norte-americana pulou toda a fase asiática. De qualquer forma, será necessária outra final, que vale 650 pontos. Siniakova atuou ao lado de Shuai Zheng em Pequim e terá Storm Hunter como parceria em Wuhan.
Festa merecida em casa
Qinwen por sua vez concluiu uma semana excelente. Ganhou convite, derrubou cinco cabeças de chave, duas delas top 10, tendo feito os quatro primeiros jogos em três sets. A final contra Mirra Andreeva foi nervosa e apertada. A russa perdeu três chances de fechar o primeiro set e falhou muito ao tentar colocar pressão nas devoluções. Zheng acertou 67% de seu ótimo primeiro saque.
A chinesa viveu um duro 2025, depois que precisou operar o cotovelo. O reinício foi recheado de derrotas e dúvidas, ela própria admite que não sabia quando ou se retomaria seu melhor nível. E talvez a coragem e a humildade de encarar o quali do US Open, 45 dias atrás, tenha feito tanta diferença. Ela só parou na eventual campeã Elena Rybakina, ganhando partidas dificílimas e, com muita certeza, confiança.
A campeã olímpica acha que ganhar seu primeiro 1000 é apenas o primeiro passo nesta volta por cima. Ela não fala abertamente, no entanto o sonho maior é repetir a ídolo Na Li e conquistar ao menos um Slam. Novamente 23ª do ranking, a ex-top 4 deixa uma boa lição, dentro e fora das quadras: “Nos momentos ruins, precisamos lembrar de tudo que já conquistamos”.
Reação na hora certa
Finalmente, os brasileiros começam a aproveitar bem a série de torneios challengers que acontece sobre o saibro sul-americano nesta reta final de temporada. Depois da final de Gustavo Heide no último domingo, vimos agora uma decisão nacional no Chile, com vitórias de João Lucas Reis sobre Thiago Wild.
Enquanto Heide e Wild se aproximam lentamente do top 100 – o que seria inédito para o paulista -, Reis retorna ao grupo dos 200 com sua mais alta classificação e garante lugar no quali do Australian Open. Outros quatro estão nessa batalha: Thiago Monteiro e Igor Marcondes, jogando fora da América do Sul; Matheus Pucinelli e Pedro Boscardin nos challengers locais.
Importante lembrar que ainda teremos três torneios de nível 75, na Bolívia, Colômbia e Equador, antes do 125 da Costa do Sauípe. Depois, há um 50 na Argentina; mais 75, no Peru, Uruguai, Florianópolis, Chile e Colômbia; outros dois 50 na Bolívia, um no Rio e em Nova Lima.
Claro que é inviável fazer todo esse gigantesco circuito, então, além de jogar bem, é preciso elaborar com critério o calendário para aproveitar todas as chances.
