Não foram exibições magníficas, nem perfeitas. Mas sim jogos brigados, difíceis, mentalmente exigentes e, por isso mesmo, as vitórias de João Fonseca e Gustavo Heide nesta sexta-feira, em quadra sintética coberta, tiveram valor dobrado.

O time de Jaime Oncins mostrou outra vez o autêntico espírito de Copa Davis para abrir 2 a 0 sobre a Suíça e assim ficar perto da vaga no qualificatório para a fase final, que acontecerá em fevereiro e pode colocar o Brasil de novo entre os melhores do mundo.

João Fonseca esteve bem abaixo do seu melhor tênis, especialmente no primeiro set. Travado, errático, confiança oscilante. E ainda por cima Dominic Stricker tirou o máximo de sua canhota enroscada – estava duro para João achar o tempo de bola no seu lado esquerdo – e de seu exuberante jogo de rede. Tinha, é claro, um buraco no backhand e foi por ali, pouco a pouco, que nosso top 30 se achou.

O terceiro set já viu Fonseca em alta rotação, com saque mais afiado e comandando os pontos com seu poderoso forehand. Brecou as investidas do adversário nos voleios e completou a virada com um 6/2 que, aí sim, mostrou a clara diferença técnica. Caiu em lágrimas no banco, ao lado do capitão, confessando mais tarde que tinha dúvidas se estava em condições de competir, dizendo-se com limitações físicas e emocionais.

Heide encarou o experiente e genial Stan Wawrinka, despedindo-se da Davis e da carreira. O ex-número 3 do ranking fez um primeiro set sólido e aproveitou a única chance que o oponente lhe deu, arrancando aplausos com seu backhand mágico.

O paulista não se abalou, seguiu no plano tático de fazer Stan se mexer, abrindo para o ataque no lado direito. Tudo parecia perdido quando o dono de três Grand Slam abriu 4-2 no tiebreak, mas então o forehand falhou, Heide aproveitou o momento e ganhou cinco pontos consecutivos para festa da pequena, mas participante torcida.

Era cada vez mais clara a dificuldade do suíço em cobrir a quadra. Heide manteve um bom ritmo de saque, usou boas curtinhas, ficou muito firme no backhand e teve chances. Mas lá vinha Wawrinka com um primeiro saque milimétrico e sobrevivia.

Heide fechou dois serviços seguidos de zero e por fim aproveitou a lentidão de pernas do adversário para concluir uma vitória justa, que mostra o quanto Oncins acertou em apostar nem seu jogo desde o duelo de fevereiro, no Canadá, e acima de tudo que Heide tem armas e cabeça para entrar enfim no top 100.

O ponto decisivo deve vir às 14 horas neste sábado com a dupla gaúcha de Orlando Luz e Rafael Matos. O técnico Severin Luthi já adiantou que não vai escalar e exigir ainda mais de Wawrinka, Assim parece pouco provável que o aguardado duelo entre Fonseca e Stan aconteça. Pena. Seria um fechamento de ouro para um momento de glória do time brasileiro.

As duas Marias

O SP Open viveu um momento de Marias, mas nenhuma delas pisou em quadra para disputar o título. Primeiro, Maria Esther Bueno entrou para o Hall da Fama, em cerimônia conduzida pelo Memorial Tênis Brasileiro, sob comando de Walmor Elias e presenças ilustres de Paulo Cleto e André Bueno, sobrinho da megacampeã.

Depois, Maria Sharapova causou um tremendo alvoroço nas alamedas do torneio, ao ser contratada por um dos patrocinadores para ações com o público e seus clientes. Deu incontáveis autógrafos, tirou mil selfies e ainda achou um tempinho para assistir ao jogo de Paula Badosa.

A espanhola, que já figurou como 2 do mundo, tem salvado o torneio de simples, que ficou vazio de estrelas e brasileiras. Está na semifinal e está a duas vitórias de seu primeiro título de WTA desde Washington em 2024. Nas duplas, Luísa Stefani segue em busca do bi, desta vez ao lado de Gabriela Dabrowski, com favoritismo absoluto.