Madri (Espanha) – Toni Nadal aconselhou Jannik Sinner a não apressar o retorno às quadras depois da lesão no joelho direito que encerrou antecipadamente sua temporada. Tio e antigo treinador de Rafael Nadal, ele recordou a recuperação do sobrinho em 2013 e acredita que o italiano tem condições de voltar a brigar pelos principais títulos do circuito.
“Pela experiência que tenho nessas situações, é preciso encarar as coisas com calma. Ele ainda é um tenista muito jovem, tem muitos anos de carreira pela frente e só deve voltar quando estiver completamente recuperado”, afirmou o espanhol em entrevista ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport.
Sinner não disputa uma partida desde que faturou o bicampeonato de Wimbledon, em julho, e já anunciou que não voltará a competir em 2026. O italiano ficou fora do US Open e também perderá o ATP Finals, em Turim. Com a ausência, perderá a liderança do ranking para o alemão Alexander Zverev até o fim da temporada. A expectativa é de que possa retornar no início do próximo ano, dependendo da evolução do tratamento.
Toni lembrou a lesão no joelho que afastou Rafael Nadal do circuito durante o segundo semestre de 2012. O espanhol também não conseguiu disputar o Aberto da Austrália do ano seguinte, mas voltou a competir em fevereiro e terminou 2013 na liderança do ranking, depois de conquistar dez títulos, incluindo Roland Garros e US Open.
“Mesmo assim, em 2013 ele terminou o ano como número 1 do mundo”, lembrou Toni. O espanhol vê motivos para acreditar em uma recuperação semelhante de Sinner. “Se passar por esse período com uma atitude positiva, acabará retomando o caminho que seguia antes de parar. Ele encerrou sua participação vencendo Wimbledon, o que é sempre uma grande conquista. Precisa continuar fazendo o que estava fazendo”, acrescentou.
Toni também citou a recuperação de Carlos Alcaraz, que ficou quase cinco meses afastado por uma lesão no punho e voltou a conquistar títulos. “Acredito que acontecerá o mesmo com Sinner. Ele é forte demais para não retomar o mesmo caminho”, avaliou o espanhol.
O número de lesões no circuito também preocupa Toni. Para ele, a velocidade das bolas e o desgaste provocado pelas quadras sintéticas aumentaram as exigências físicas sobre os jogadores. O espanhol mencionou especialmente o estilo de Sinner, que flexiona bastante as pernas e precisa realizar frenagens constantes durante as trocas de bola.
“O problema do tênis atual é que as lesões estão acabando com os jogadores. As quadras duras e a velocidade da bola fazem com que os tenistas se machuquem muito mais, porque o impacto sobre o corpo é contínuo”, criticou Toni.
O agora também comentarista voltou a defender mudanças no esporte. “Digo que chegou a hora de desacelerar um pouco as coisas, talvez usando raquetes menores, que impeçam os jogadores de bater tão forte na bola”, sugeriu.
