Nova York (EUA) – Pela terceira vez na carreira, Frances Tiafoe foi eliminado do US Open na semifinal. O algoz agora foi o compatriota Ben Shelton, que venceu por 4/6, 6/3, 6/3 e 7/5 na última sexta-feira e garantiu vaga na decisão. Apesar da frustração por novamente ficar a uma vitória da final, o norte-americano de 28 anos destacou a evolução apresentada ao longo da temporada e afirmou que se sente confiante de que poderá voltar a disputar uma decisão de Grand Slam.
“Você nunca quer estar confiante demais de que vai voltar a esse estágio, mas me sinto bastante confiante de que posso voltar, com certeza”, afirmou Tiafoe. O norte-americano terá o melhor ranking da carreira na próxima atualização, na oitava posição. A campanha em Nova York também repete seus melhores resultados em Grand Slam, obtidos nas semifinais do próprio US Open em 2022 e 2024.
“Estou feliz com a maneira como venho jogando e aparecendo toda semana. É algo que eu realmente queria fazer e fiquei feliz por conseguir. No ano passado, eu estava dando minha entrevista aqui e me sentia muito mal com a situação em que estava. É difícil, estou chateado, mas, ao mesmo tempo, tenho muito orgulho de onde cheguei”, disse o tenista, que em 2025 não passou da terceira rodada em Flushing Meadows.
Tiafoe revelou ainda que chegou a duvidar de sua condição para disputar a semifinal. “Fiquei feliz por conseguir jogar hoje. Eu estava em uma posição em que definitivamente não deveria estar jogando hoje”, contou, sem especificar o problema físico.
Saque de Shelton fez diferença
Para Tiafoe, uma das principais diferenças da partida esteve no saque. Enquanto ele precisou trabalhar muito para confirmar seus games, Shelton conseguiu jogar com maior tranquilidade graças ao alto aproveitamento no primeiro serviço. Enquanto Frances acertou apenas 57% do primeiro serviço, o rival teve média de 75%, chegando a 82% no terceiro set.
“Para mim, uma coisa que ainda falta, mesmo tendo vencido muitas partidas, é o meu percentual de primeiro saque. Eu estava trabalhando demais no meu saque, e ele estava com 82%. É difícil, especialmente contra canhotos, com movimentação, spins, saques kick, slices e bolas fortes”, explicou.
O norte-americano também reconheceu que Shelton conseguiu melhorar a devolução depois do primeiro set. “No primeiro set, especialmente naquele game de 5/4, os retornos de forehand e backhand dele estavam muito fora. Ele estava um pouco nervoso, mas isso é algo que eu ainda preciso melhorar. Isso me deixou muito atrás durante a noite.”
Além do saque, Tiafoe identificou uma mudança importante no jogo do adversário: a capacidade de sustentar mais os ralis e depender menos de golpes vencedores. “Ele está ficando mais sólido. O jogo dele está mais polido. Em vez de ser apenas um jogador de golpes decisivos, ele está conseguindo se manter firme nos ralis”, avaliou.
Segundo Tiafoe, Shelton também mostrou uma resistência maior nas trocas longas. “Nós dois estávamos 100% tentando descobrir como conseguir a vitória. Ele devolveu bem. Eu dei muitos segundos saques para ele, o que ajudou nesse aspecto. Ele queria muito. Eu também queria. Ele está se mantendo firme nos ralis, cometendo menos erros. E está pronto para continuar nas trocas longas, o que não fazia normalmente, mas tem feito bastante neste ano.”
De olho no Finals, Tiafoe ainda sonha com Slam
Apesar da nova frustração em uma semifinal de Grand Slam, Tiafoe deixou claro que o objetivo continua o mesmo. A derrota para Shelton encerra sua campanha no US Open, mas não muda a ambição para o restante da carreira. “Quero ser campeão de Grand Slam um dia. Agora é voltar à prancheta e continuar trabalhando”, afirmou.
O norte-americano também pretende manter o ritmo para tentar garantir uma vaga no ATP Finals de Turim. Atualmente, ele ocupa a sexta posição na corrida da temporada e pode se classificar pela primeira vez para o torneio. “Eu me apaixonei pelo trabalho. Provavelmente vou sentir pena de mim mesmo nos próximos dias, mas depois disso posso voltar a trabalhar e tentar chegar a Turim. Quero estar lá e jogar.”
Tiafoe ainda falou sobre a relação especial com o US Open e a torcida de Nova York. Mesmo após a derrota, ele destacou o carinho recebido durante o torneio. “É por isso que eu quero vencer aqui. O carinho é incrível. Isso definitivamente me deixa com lágrimas nos olhos, desde criança, começando da maneira como comecei. O amor que tenho aqui é louco”, afirmou. “Espero que um dia a gente consiga.”
