Foi muita coisa para uma única terça-feira, um dia muito pouco tradicional para grandes acontecimentos no tênis internacional.
Carlos Alcaraz ganhou seu primeiro título após a séria contusão no punho, Novak Djokovic encerrou semana mágica com a volta às grandes conquistas e a soma de mais alguns números fenomenais, Jannik Sinner anunciou que não volta mais em 2026 e isso automaticamente levará Alexander Zverev ao número 1 do ranking, mais cedo ou mais tarde.
Djokovic teve dois jogos incompletos nas rodadas decisivas do ATP 500 chinês, mas isso nem de longe tira qualquer brilhantismo de sua mais nova façanha. Porque, antes de mais nada, ele vinha de uma vitória de gala em cima de Zverev, o melhor tenista da temporada, onde mostrou capacidade de manter um alto nível de tênis em um jogo fisicamente muito exigente do começo ao fim.
Os dois primeiros jogos do sérvio mostraram fragilidade e incertezas, a ponto de ele próprio citar problemas, sem revelar detalhes. Por isso, era difícil imaginar que conseguiria ser competitivo se o jogo fosse longo e equilibrado, mas Nole deu um show de força mental e capacidade tática contra o homem que acabara de ganhar o US Open. Marcava então 32 vitórias seguidas no torneio e se tornava o tenista com maior número de vitórias seguidas sem qualquer derrota numa mesma competição. Não deixou de ser irônico o fato de Sascha ter brincado com Djokovic na véspera, ao dizer que a ideia do sérvio de mudanças de regras no tênis era coisa de “velho”.
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Na rodada seguinte, diante de Daniil Medvedev, foi o russo quem sentiu desgaste após um duríssimo primeiro set. Pior ainda, tomou atitudes reprováveis, ironizando em quadra o adversário, como a duvidar de suas limitações atléticas. Até ser punido por um destempero – aliás, mais um – e acabar desclassificado, num momento em que lutava para sobreviver na partida com uma quebra atrás. Castigo?
Talvez seja exagero dizer que Alex de Minaur seja um desafeto de Djokovic, mas é um dos jogadores com quem o sérvio tem limitadas interações, desde as críticas que o australiano fez no caso da expulsão do sérvio do Australian Open até um comentário posterior em que duvidava dos atendimentos médicos do oponente. Desta vez, foi De Minaur quem sucumbiu na parte física, entregando os pontos após o tiebreak de um acirrado primeiro set.
O 102º troféu de Djokovic, agora apenas um atrás de Roger Federer e a sete de Jimmy Connors, faz também com que ele seja o único profissional com ao menos um título vencido por 21 temporadas consecutivas, o leva merecidamente de volta ao top 10 como oitavo colocado e ainda lhe dá chances reais de brigar outra vez por vaga no Finals.
É muita coisa para um jogador de 39 anos e que está na estrada por tanto tempo. Mas ele se chama Djokovic.
Alcaraz fez lição de casa
Se Nole superou três top 10 na campanha, Alcaraz chegou ao bi de Tóquio e ao 27º troféu da carreira com uma campanha muito menos chamativa. Talvez seu maior desafio tenha sido a estreia diante de Alex Michelsen, o inesperado semifinalista do US Open. Chegou a perder set para o quali Jaume Munar na penúltima rodada e por fim teve um começo vacilante contra Jiri Lehecka, reagindo depois de ser quebrado. Saiu também atrás no tiebreak, mas jamais deixou de mostrar seu tênis completo, atlético e agressivo.
De qualquer forma, ficou claro que Alcaraz ainda busca seu melhor ritmo depois da longa parada. Mostrou novamente progresso com o primeiro serviço e solidez com o forehand, os dois pontos mais delicados diante de sua lesão, e a expectativa é que siga evoluindo nesta reta final de temporada. Entra como cabeça 2 em Xangai, onde não competiu no ano passado e tem como melhor resultado as quartas de 2024.
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Sascha no topo
Zverev desperdiçou em Pequim a chance de já atingir o número 1 no Masters 1000 chinês, uma vez que precisava dos dois títulos para superar Sinner. Mas o italiano facilitou as coisas ao anunciar que prolongará o tratamento do joelho e não competirá mais na temporada.
Assim, o alemão será enfim o líder em Viena, em Paris ou o mais tardar em Turim, conforme a campanha em Xangai e depois das vitórias que obtiver nos torneios seguintes. A chance de Alcaraz retomar o posto na última semana do calendário é apenas retórica, já que ele teria de ganhar 4.200 pontos e o alemão, nenhum.
Gostemos ou não de Zverev, é indiscutível que o homem que venceu dois Slam e fez final em outro, em três pisos distintos, merece atingir a liderança.
