Pequim (China) – A ucraniana Elina Svitolina admitiu que a guerra em seu país continua provocando um grande desgaste mental mesmo depois de quase cinco anos. Número 7 do mundo e principal nome da campanha que levou a Ucrânia à inédita final da Billie Jean King Cup, a experiente jogadora de 32 anos afirmou que ainda enfrenta dificuldades para administrar a situação enquanto disputa o circuito.

“Já se passaram mais de quatro anos e meio, serão quase cinco em fevereiro, desde que começou a guerra, e ainda é muito difícil para mim jogar no circuito mentalmente, com tudo o que acontece, com as redes sociais e todas essas coisas. É muita pressão”, afirmou Svitolina em entrevista ao jornal espanhol AS.

A ucraniana destacou sua motivação para usar a projeção no tênis em benefício de seu país. “Quero fazer coisas diferentes pela Ucrânia e, para mim, é uma motivação extra para jogar bem, retribuir tudo o que puder e fazer o máximo possível com a plataforma que tenho”, assegurou.

Svitolina foi uma das protagonistas da campanha histórica da Ucrânia na Billie Jean King Cup. Depois de superar Bélgica e Itália, a equipe chegou pela primeira vez à decisão, mas acabou derrotada pela República Tcheca por 2 a 0. Na final, a número 7 do mundo perdeu para Linda Noskova por 6/3 e 7/6 (7-5).

Mesmo com a derrota, Svitolina ressaltou a importância do resultado. “Em um momento tão difícil como o atual, com a guerra e ataques diários contra diferentes cidades, esse tipo de vitória, qualquer vitória no esporte, é simplesmente incrível. Une as pessoas e proporciona um pequeno alívio dos ataques diários e da guerra”, afirmou.

A ex-top 3 também falou sobre o significado de representar seu país. “É uma enorme honra para mim. Sempre fico arrepiada quando entro em quadra, jogo pela minha equipe e pelo meu país. Seja nos Jogos Olímpicos ou na Billie Jean King Cup, sinto pressão, mas ao mesmo tempo acho que isso me impulsiona e me motiva a jogar da melhor maneira possível”, destacou.

A maternidade foi outro assunto abordado pela ucraniana. Ela afirmou que hoje administra o tempo de forma diferente para conciliar suas responsabilidades. “Tenho uma perspectiva diferente sobre o tênis e sobre minha carreira em geral. Agora sinto que sou mais precisa com meu tempo, tenho mais claro o que quero e onde posso ser útil”, ponderou.

Svitolina ainda revelou como gostaria de ser lembrada após deixar o circuito. “Em quadra, diria que pelo espírito de luta, porque sempre lutei até o fim. Fora dela, pela ajuda e por retribuir algo às crianças da Ucrânia, à nova geração”, garantiu.

Cabeça de chave 6 do WTA 1000 de Pequim, Svitolina saiu avançada na primeira rodada e fará sua estreia diante da vencedora entre a tcheca Katerina Siniakova e a polonesa Magda Linette. A ucraniana também segue firme na disputa por uma vaga no WTA Finals de Indian Wells, ocupando atualmente o sexto lugar na corrida da temporada.