Paris (França) – Após garantir vaga nas quartas de final do Masters 1000 de Paris, Casper Ruud fez uma crítica ao tênis atual. O norueguês acredita que a agressividade dos jogadores está tornando os grandes jogos cada vez mais raros.

“Não haverá tantos grandes jogos no tênis moderno, porque todos sacam bem, devolvem bem e atacam assim que encontram uma oportunidade”, afirmou Ruud em entrevista ao Tennis Channel, após vencer o alemão Jan-Lennard Struff nas oitavas de final do Masters 1000 de Paris.

O ex-vice-líder do ranking mundial admitiu que seu estilo de jogo já não funciona tão bem quanto antes. Conhecido pelas bolas com bastante efeito, especialmente de direita, Ruud observou que os adversários conseguem neutralizar esses golpes com maior facilidade.

Clinical Casper 👌

Ruud secures a 6-3 opener over Struff!

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— Tennis TV (@TennisTV) November 5, 2026

“A parte mais difícil de mudar meu jogo é que a maioria dos jogadores atua em ritmo muito alto, tanto de direita quanto de esquerda. Eu gosto mais de construir os pontos e jogar com bastante efeito, como faziam Nadal e Thiem. Eles eram meus ídolos quando eu estava crescendo, mas precisei aceitar que hoje os jogadores conseguem se defender muito melhor dessas bolas”, explicou.

Vice-campeão de três torneios de Grand Slam, o norueguês admitiu que nem sempre teve coragem de atacar quando surgia uma oportunidade. Sua preferência era desgastar o adversário até provocar um erro ou conseguir uma bola mais fácil.

“Às vezes fui um pouco passivo, porque meu jogo consistia em desgastar o adversário aos poucos, provocar o erro ou esperar uma bola mais fácil. Hoje vemos jogadores batendo muito forte praticamente em qualquer situação. Estou tentando fazer isso também, mas continua sendo um desafio e provavelmente será pelo resto da minha carreira”, reconheceu.

Em Paris, Ruud tem buscado antecipar os golpes e tomar a iniciativa dos pontos. Aos 27 anos, o atual número 23 do mundo derrotou Struff por duplo 6/3, em apenas 1h03, e voltou às quartas de final do torneio depois de cinco anos. Ainda não perdeu sets na competição.

O norueguês também destacou a importância de devolver melhor o saque, especialmente diante de adversários que costumam avançar à rede. Contra Struff, conseguiu manter as devoluções mais baixas e dificultar as subidas do alemão.

“No passado, tive dificuldades contra jogadores que sacavam e voleavam, porque ficava muito atrás e minhas devoluções saíam altas. Contra Struff, consegui ler muito bem o saque dele. Acho que isso fez com que ficasse um pouco mais atrás no segundo set, e aproveitei”, avaliou.

Nesta sexta-feira, Ruud enfrenta o português Nuno Borges, de 29 anos e 49º do ranking, em busca de uma vaga na semifinal. O adversário entrou na chave como lucky-loser e venceu o confronto mais recente entre os dois, nas oitavas de final do ATP 500 da Basileia, na semana passada. O retrospecto está empatado por 2 a 2.