Roma (Itália) – Presidente da comissão médica da Federação Italiana de Tênis e Padel (FITP), Gianni Daniele fez uma avaliação controversa sobre o momento de Carlos Alcaraz. O médico aventou a hipótese de que a longa recuperação do problema no punho já possa estar afetando também o mental do espanhol.

Alcaraz está afastado do circuito desde que venceu a estreia do ATP 500 de Barcelona, em abril. Após sentir dores, ele passou por exames e, inicialmente, decidiu desistir do restante da temporada de saibro, inclusive de Roland Garros.

Posteriormente, o atleta de 23 anos abriu mão dos eventos na grama e depois dos primeiros torneios do verão norte-americano. Na semana passada, ele anunciou que não defenderia o título do Masters 1000 de Cincinnati, que começa nesta quinta-feira.

Dúvida para o US Open, onde também é o atual campeão, Alcaraz ainda mantém mistério sobre a data exata de retorno, embora já esteja treinando com o braço direito. Até agora, sua equipe não revelou detalhes sobre a lesão.

Em entrevista ao jornal italiano La Repubblica, Gianni Daniele destacou justamente a falta de informações mais precisas sobre o problema. Mesmo assim, foi além da questão física ao avaliar a situação do ex-número 1 do mundo e chegou a falar em uma possível depressão.

“Agora entra em jogo uma hipótese de fragilidade mental: com a dificuldade para recuperar a intensidade de trabalho de antes, poderia ter se criado em sua cabeça uma forma de depressão, um círculo vicioso que não lhe dá a segurança de antes”, avaliou Daniele.

A declaração, porém, não representa um diagnóstico de depressão envolvendo Alcaraz. Nem o espanhol nem sua equipe divulgaram informações neste sentido. Daniele acredita que o longo período de recuperação pode começar a provocar inseguranças. “As dúvidas começariam a tomar conta da cabeça dele”, acrescentou.

O dirigente italiano adotou um tom bem diferente ao comentar o caso do compatriota Jannik Sinner, líder do ranking, que também enfrenta problemas físicos.

Segundo o médico, Sinner aumentou bastante a intensidade dos treinamentos depois de um período de descanso, o que pode causar sobrecarga nas articulações e inflamações nos tendões. O líder da ATP resolveu não jogar Cincinnati alegando incômodo no joelho direito e segue em seu país natal se tratando.

O presidente da comissão médica considera que a situação de Sinner não inspira grande preocupação e entende sua ausência em Cincinnati como uma decisão preventiva. “Acredito que ele estará perfeitamente preparado para o US Open”, minimizou Daniele.